terça-feira, 21 de novembro de 2017

A noite na santa casa...de misericórdia.

Saí na porta da casa da minha Vó e no meio da escuridão, perto das 22h30, eu vi no último lance de escada (de cimento) minha mãe caída, e sem vida...

Fui a primeira a chegar virei o rosto da minha mãe que estava no chão, sua lingua estava roxa e pra fora, coloquei para dentro, e achei que ela tinha partido.

Tinha mala, sacola, bolsa espalhada, sobre e em baixo dela...tinha roxos nos seus braços e ela estava completamente mole, entregue...

Segundos que demoram muito, que a gente perde os sentidos, e parece que está morta também.

Gritei: Mãeeeee....mas ela não respondia.

Meus familiares chegaram, tinha uma almofadinha dessas de pescoço, tentamos colocar o rosto dela, para ver se ela conseguia respirar....

Mas a posição era incomoda demais....minha mãe estava de bruços, com os pés e pernas em uma escada e a cara numa rampa, uma posição impossível de ficar.

Sentei no chão e a coloquei em meu peito, nisso, a chamamos, e ela foi voltando a consciência...confusa...estranha..agressiva....chamamos a ambulância...e ela estava mole (pensei que tinha quebrado os braços quando a virei, ela estava completamente entregue).

Segurei o choro, e tentei mantê-la acordada para esperar a ambulância.

Minha prima segurou as pernas dela, numa tentativa de mantê-la o mais próximo possível da posição que estava quando a encontramos, mas era íngreme e difícil de contê-la.

Ela mandou que a soltássemos, que ela precisava sentar, estava enjoada e seus olhos já apresentavam uma coloração negra de tão roxo que estava.

Pedi para minha tia ir na ambulância com ela, pois, estava completamente surda e assustada.

No carro com minha prima...chorei....várias coisas passaram pela minha cabeça...ela vai morrer? Terá Sequelas? Aqui é muito despreparado para lidar com pessoas transplantadas, alguns médicos nem sabem direito medicações que não podemos tomar...dá medo de perder o rim transplantado. A passagem, e agora vou ter que ligar para meu pai, irmão.

Minha barriga na hora já demostra sinais de desinteria, é assim que meu corpo lida com muita adrenalina e nervoso, quer colocar pra fora o caos que se agita em mim.

Parece que tem um tsunami dentro do meu peito.

Quero ser forte e centrada, mas o medo me domina, a incerteza me tira do chão, já passamos por tantas coisas, que o pânico me domina nesses momentos, por que, já tenho uma ideia das coisas pelas quais irei passar, do quanto vai duro e desafiante, exaustivo e assustador.

Fiquei esperando a ambulância que chegou em seguida e entrei com minha mãe....apesar da minha condição assustadíssima era eu quem precisava cuidar dela. Falar do transplante, da medicação, ficar do lado dela.

Ela vomitou na ambulância o que não é muito bom em casos de batida de cabeça, mas o vômito pode ter outros motivos, como susto, nervoso, etc.

Fiquei com os socorristas e já senti que precisava rezar muito, eles não colocaram o colar cervical na minha mãe (disseram que o pescoço dela não dava), a desamarraram para que ela vomitasse agora no hospital de novo, ou seja, não havia um protocolo em questão de trauma.

A médica de plantão, super jovem, provavelmente clinica geral, atendendo todo o hospital naquela noite, não tinha como dar a devida atenção a minha mãe.

Não tinha lugar para colocar ela, devido a lotação e os socorristas da ambulância queriam ir embora e colocar minha mãe em algum lugar o mais breve possível.

A colocaram numa maca, na sala de medicações, ela confusa, agressiva, já parecendo um panda, toda ralada, tremendo muito, vomitando mais vezes, só falava quando vamos para a casa.

A médica não queria fazer um RX...e aí entrou a minha experiência de muitas internações.

Brigar não adianta...

Nem mandar, por que, médicos pensam que são Deuses, mas aqui vai a minha mais preciosa dica: Você tem que guiar os médicos e deixar que achem que foram eles que tomaram as decisões, para isso é necessário um pouco de experiência em hospitais (que eu tenho) e assistir muitas séries médicas...rs

Então, comecei a falar para a médica com jeito se ela não ia tirar um RX para ver se não tinha quebrado nada e se não ia fazer uma tomografia (já que era nítido que ela tinha batido forte a cabeça)...a médica relutante com as minha ideias (afinal eles são Deuses e eu não entendo de medicina certo?)...disse que não era necessário....(OI?)

Ela lá do lado da minha mãe apavorada....deram remédio para dor...

O nervoso foi subindo, subindo, subindo....e a dor de barriga foi ficando forte, pensei que fosse ter um acidente ali mesmo...rs...então tive que ir no banheiro que era lá na recepção...pedi para minha tia ficar com minha mãe e fui no banheiro...rss (eu que odeio um banheiro público e tenho dificuldade de fazer o número 2 fora de casa, estava lá....o que não estava era o papel higiênico...rs).

Bom tive que chamar minha outra tia e pedir para ela pedir papel higiênico.

Nem te digo que quando saí do banheiro todo mundo da recepção sabia que eu tinha feito né? rs

Bom como saí e estava passando mal, não me deixaram mais entrar, disseram que eu só entraria quando me acalmasse.

Nisso lá dentro minha tia que estava com minha mãe falou que eu era transplantada também e que precisavam tirar minha pressão .... Aiaia....abriram uma ficha para mim, com a única médica do plantão lotado (várias ambulâncias chegando e várias pessoas em espera há horas na recepção)....bom não tinha jeito, em quanto eu não passasse com a médica não conseguiria voltar.

E foram horas...liguei para meu pai, irmão...e passei diversas vezes mal...chorava, mas tive que engolir todas essas emoções para poder voltar lá para ficar com minha mãe.

E foi o que fiz....

Até que depois de horas, a médica me chamou.

Já entrei na sala dizendo que só me acalmaria quando soubesse da minha mãe, pois, minha tia que estava com minha mãe veio até a recepção antes de eu entrar e contou que a médica tinha resolvido fazer um RX da cabeça.

Então, ela analisou o RX da cabeça da minha mãe, disse que não tinha fratura, e que ela ficaria em repouso essa noite e que no dia seguinte estando bem, receberia alta, eu perguntei se ela não faria uma tomografia, e ela disse que não via necessidade, já que no RX não tinha trauma.

Perguntei se ela estando bem no dia seguinte se eu poderia trazer ela para SP, de carro, e se haveria riscos:

Ela me disse que se minha mãe passasse mal era para parar na primeira cidade (OI?), e que por dias ela poderia ter sangramento, convulsão, mudança de personalidade, que ela sugeria que a gente ficasse uns três dias na cidade, para ela ficar mais forte antes de voltar para SP, mas que era para eu observar isso e qualquer coisa correr para o PS...

Diante desse cuidado dela tão caprichoso eu pedi que me desse um pedido de tomografia que faríamos particular antes de irmos para SP, para irmos na viagem com mais certeza de que não tinha nada muito grave.

Ela explicou que esse tipo de quedas, principalmente em idoso, que a tomo pode dar nada hoje e que amanhã pode ter um problema, por que, ás vezes os problemas demorar para aparecer, que teria que a observar durante dias....

Peguei o pedido da tomo, agradeci as explicações, ela mediu minha pressão que estava boa, expliquei que era só nervosismo e disenteria, e que eu voltaria para ficar com minha mãe.

E assim fiz...falei para minha tia ir embora (isso eram mais de 3 da manhã), todos meus familiares que estavam lá comigo se foram e eu morrendo de medo da minha mãe cair da maca dura e fria, passei a noite acordada e presente....

A todo momento acendiam a luz (afinal era a sala de medicação) e isso incomodava minha mãe...ás vezes ela acordava e falava: A gente não vai embora? E a passagem?

Mas muito sonolenta ela voltava a dormir, não consegui fazer ela ficar acordada.

A noite passou, e eu fiquei ali entre sentada naqueles banquinhos redondos de metal frio, horas levanta, horas o sono vinha e eu quase sucumbia, e horas minha barriga roncava já não tendo mais nada para colocar para fora.

O susto foi tão grande, que eu nem sei de onde tirei forças...logo que voltei para ficar com minha mãe, rezei e falei com Deus que eu aceitava o que ele tivesse programado, que se minha mãe morresse por mais que eu sofreria eu ia continuar vivendo, e que se ela ficasse com sequelas que ele me desse forças para cuidar dela e mais que ele guiasse as decisões dos médicos, por que, eu estava muito assustada com a falta de preparo deles para cuidar de traumas como esse...sem rx do torax, sem tomo, sem uma análise, quase nem a examinaram se ela tinha quebrado alguma coisa...a médica quase nem chegou perto dela e isso me assustou demais....

Rezei para que o dia chegasse logo, não para minha mãe ter alta, mas para que viesse outro médico e que com esse eu tivesse mais exito...

6 horas da manhã o turno ia ser trocado, a médica fez minha mãe sentar na maca, mas ela não aguentava de tontura e dor, e começou a falar que ia morrer....que queria deitar....

Eu com um pouco de calma, quando a médica passou no corredor eu falei:

Dra. ela não está aguentando sentar, reclama de dor, está apática, sonolenta, vomitou a noite toda...ela não está bem Dra, tem certeza que não vai fazer um RX do corpo, uma tomografia?

A médica com aquela cara de "quem é essa daí, pensando que não sei o que estou fazendo?"....

Depois de muita reclamação da minha mãe que não estava aguentando a médica mandou as enfermeiras abaixarem a maca, deixando minha mãe deitar de novo e dormir....

Entrou numa sala, não sei se foi falar com o médico do próximo turno...voltou e me disse:

Olha resolvi internar sua mãe, para que o neuro avalie, não sei se ele vem hoje, nem quando vem, e também não sei se ele pedirá exames....mas fica ao critério dele para avaliar.

Mesmo com tanto pessimismo eu agradeci a Deus por isso.

Minha mãe não tinha a menor condições de ir para qualquer lugar sem antes fazer mais exames e ser melhor consultada.







terça-feira, 24 de outubro de 2017

Quem conta um conto, descobre um motivo.

Faz tempo que minha mãe está querendo visitar minha avó já quase centenária em Cornélio Procópio, mas o médico (a bichinha tem um PÁ), outro mês a despesas do lar, outros os compromissos amigáveis tem feito essa visita ser adiada por bastante tempo.

Até que em Setembro, uma prima que tem loja lá e vem sempre fazer comprar aqui em SP, nos ofereceu carona, sempre tivemos receio de atrapalhar (já que as compras devem lotar o carro), mas diante da insistência dela lá fomos nós.

Tomei cuidado de fazer malas pequenas e fáceis de carregar, a da minha mãe uma mala de rodinha pequena e eu uma mochila e uma mala de mão que dava para colocar em cima da mala da rodinha.

O hotel da minha prima fica no Canindé que é perto dos locais onde ela faz compras, como é bem longe da minha casa, fomos de carro com meu pai até o metrô e do metrô tínhamos que andar uns 15 minutos, que com malas, parece 1 hora.

Mas fui, com toda força que Deus meu deu (e ele não me poupou é verdade), arrastando as malas por caminhos tortuosos, até que finalmente chegamos ao hotel, encontramos meus primos, tomamos café, comemos pastel, fomos dar voltinha para ver as pechinchas locais (e me mantive na linha, já que ainda estou com diversas divididas da viagem para a Tailândia e Camboja que irão até junho do ano que vem, que valeram cada centavo gastado).

Na verdade eu pensei muito em não vir nessa viagem, devido a minha falta de recursos financeiros, mas alguma coisa no meu coração não queria deixar minha mãe voltar de ônibus sozinha, sei lá, apesar de não gostar de voltar a noite (a passagem para idoso com desconto era só a noite), apesar de não ter dinheiro, apesar de ser poucos dias, apesar de eu odiar ir sem carro para lá, a sensação estranha de deixar minha mãe sozinha sozinha falou mais alto.

Passamos no Catarina Shopping na estrada que queria muito conhecer, almoçamos por lá, e a viagem passou para mim que falo pelos cotovelos muito rápido (coitado dos meus primos...rs).

Lá muita conversa em família (boas e ruins), muita comidinha gostosa, muito carinho e atenção.

Eu e minha mãe focamos bastante na minha avó, passei tardes lá ouvindo ela contar seus causos.

Eu não escuta mais nada, então, só ela fala, não tem uma conversa na verdade, agora ficou até difícil perguntar as coisas que antes eu adorava perguntar para ele desfilar uma história gigante de como conhece meu avô e tantas outras outras que eu já sabia onde ela repetiria determinada frase.

Ela nos seus quase 94 anos (ela faz dia 24 de Dezembro a 24h00) ainda lembra de detalhes especiais para mim, mas agora tem momentos de puro sonho.

Ela cismou que meu tio que pesca (muito diga-se de passagem) fez amizade um uma bichona desssssessssssssseeeee tamanho (mostra ela com suas mãos), uma borboleta azul que vem do rio até em casa atrás do meu tio, quando ele chega aqui da pescaria, olha ele tendo que voltar lá para o rio para levar a bichona. (rss)

Ela fala com aquela convicção da realidade e repete de vezes em vezes a mesma história.

Também falou assim:

"Olha eu fui lá na Janete (Tia) um dia desses e o namorado da Jú (prima) não ia embora de jeito nenhum, acabou-se o mundo pra quem morreu, eu não falei nada né, já que se o Maurílio (Tio) não falou nada deve ser por que ele e concorda né?"

Também me falou do pai dela e numa flexibilidade incrível para a idade ela abaixou até o chão para pegar a foto para me mostrar, eu filmando pensei, vou mostrar pra minha professora de yoga...rs

Achamos ela apesar dos pequenos delírios muito lúcida, comendo direitinho, animadinha e sorridente (tinha vezes que íamos que ela chorava sem parar), passeadeira, participativa dentro do possível (por não escutar), enfim, ficamos felizes da vida de vê-la bem, ficamos com nosso coração em paz.

Minhas tias conseguiram encontrar um meio de dividir os cuidados que ficou bom para elas e isso também trouxe paz ao meu coração.

Sabemos que por morar aqui tão longe, pouco fazemos para ajudar, quando estamos lá, cuidamos delas, ouvimos, levamos para passear, mas são bem poucos dias, isso é nada perto do que eles que moram lá tem que fazer.

Eu particularmente acredito que Deus tem destinado para cada um de nós por meio do nosso livre arbítrio (escolhas que fazemos), nós não podemos mora lá, trazê-la para cá (onde ela nunca morou nesses 94 anos, será, se necessário a última possibilidade a ser feita).

Sei que é difícil para minhas tias, minha avó sempre foi uma pessoa desafiante, teimosa, chiliquenta, ingrata (sempre morou na casa do meu tio sem nunca agradecê-lo por isso talvez por que tenha sido educada numa época em que os filhos tinham obrigação com os pais, e não importava onde morava, o que se tinha para comer, os pais eram herança dos filhos).

Não sei o que se passa dentro do coração da minha avó, só Deus, talvez ela seja muito melhor do eu penso que sou, tudo que cito aqui é o que sinto e vejo, e apesar de vê-la dessa forma eu amo minha avó, com todo meu coração, entendo sua história, entendo que casou e foi morar com um estranho (com quem apenas trocavas cartas) em SP, e de lá veio para o Paraná tentar a vida, ele um pedreiro numa cidade onde só havia casas de madeira.

Parece aquelas piadas de filme pastelão, eles vieram, com meu bisavô já estabalecido, dono de uma pequena venda. Meu avô sem trabalho, teve que sujeitar e correr atrás de cada migalha de pão para alimentar os seus, e eram muitos os seus, oito filhos escadinha.

Imagino minha avó, que teve um pouco de mordomia, foi adotada bebê quando sua mãe morreu com 8 dias de parto.

A avó ficou assim: odiada pela família original por ter matado a mãe deles.

Odiada pela família adotiva, por não entenderem o por que do meu biso adotivo ter pego ela (diz minha avó que meu biso era mulherengo e que um dia ela tomou coragem e perguntou a ele:
Papai queria lhe perguntar uma coisa, mas tenho medo....
Olha lá Nita o que vai dizer....
Papai por que você me pegou para criar?
Por que prometi a sua mãe que o faria.

E assim a história da adoção da minha acabou aqui, sem detalhes, dúvidas sanadas e nem acalanto para o coração da minha avó.

Seu irmãos adotivos, já maiores do que ela, não entendiam o por que do pai pegar um bebê para criar a essa altura da vida (minha bisa adotiva já tinha morrido) as filhas foram quem cuidaram da minha avó e algumas delas por ciúmes, raiva, vidas passadas vai saber, não gostavam muito dela, da atenção que o pai lhe dava.

E assim minha avó se viu quando casada, morando encostada com o sogro e a cunhada, com 8 filhos para criar, numa cidade onde não havia trabalho para meu avó, imagino o redemoinho de magoas e remorsos dentro do seu peito.

Tudo isso contribuiu para ela ser quem é ... diante dessa situação meu avô doce e meigo não brigava e nem entrava em conflito com minha avó.

Quando meu biso paterno ficou doente foi morar no asilo espirita (o que causava repulsa na minha avó além de tudo a religião escolhida e cheia de preconceito naquela época), a cunhada médium e vidente ficou com eles, num caos que eu nem consigo imaginar.

Minha tia avó era excêntrica, via coisa, psicografava e sem dúvida alguma causava espanto naquela época, devia ser a gota de desgraça na vida da minha avó.

Meu biso paterno morreu e no lugar dele minha tia avó (filha dele) foi morar no asilo com apenas 28 anos de idade.

Minha ligação com ela é espiritual e difícil de explicar...durante criança, já morando em SP, visitamos minha tia, que jovem ajudava no asilo, lavando a louça, fazendo a comida e pouca atenção nos dava, acho que nem sabia quem eramos.

Com o passar dos anos, e meu entendimento (será que posso dizer isso), da situação, comecei a visitar minha tia todas as férias....passava perfume nela, pintava sua unha, levava cigarro (quando ela fumava), balas, bolacha.

Ela não falava muito.

Eu perguntava muito.

Todas as vezes eu dizia:

Vamos passear comigo tia? (Agora a família já estava mais estabilizada, tinha carro, alguma condição de pelo menos levá-la nos natais, ano novo, numa viagem)

E ela sempre respondia: Na próxima vez....

Ela nunca saiu de lá, dos 28 aos mais de 90 (não tinha sua certidão de nascimento, portanto, não sabemos sua idade).

Perguntava de seu noivo (minha avó disse que ele teve um noivo e que ele não quis casar, e que isso fez com que ela perde-se o juízo, só dessa vez, minha avó ou alguém me contou que esse noivo "aprontou" com ela...imagino se isso fosse verdade... minha tia avó estava desgraçada para sempre, ninguém jamais iria casar com uma mulher que não era mais virgem e pobre, e com todos os problemas de vidência que ela tinha).

Foram muitas visitas, muitos silêncios, muitas fotos, muita curiosidade dela (ela adorava as coisas que levava como máquina, perfume, tudo que eu tirava da minha bolsa).

Até que ela já com câncer, na última visita, repeti:

Vamos passear comigo tia?

E ela me respondeu:

Agora não dá mais tempo.

Tia Avó Conceição e Tio Avô Almiro (Ambos irmãos do meu avô materno)

Um dia eu me senti muito mal, deitei para descansar já era de tarde, minha mãe veio me acordar e disse que ela tinha partido.

Gosto de imaginar que minha ligação com ela transcede e é especial, eu tinha que ir lá, não queria que ela fosse enterrada como os internos do asilo (sim ela era mais do asilo do que da minha família, mas ela era minha também).

Saímos daqui, eu, minha mãe, meu pai, numa chuva torrencial, na estrada bateram no meu carro, e foi bem complicado chegar, demorarmos muito devido a chuva, noite e neblina, chegamos já era bem tarde da noite, tipo umas 22h00, o diretor nos deixou entrar, uma nevoa que tomava todo o asilo, o silêncio, eles velam os velhinhos numa parte anexa. meus tios e primos que mora em CP estavam lá... nos esperando.

Eles nos deixaram ficar um pouco lá, depois o corpo da minha tia avó passou sua última noite lá, ela, ahhh ela já estava longe, feliz e recebida por braços amorosos que a auxiliaram nesse momento de transição...ela finalmente depois de mais de 90 anos tinha cumprido sua missão.

E eu...eu ficava aqui com o coração partido, por achar, que minha Tia avó é um pouco eu, incompreendida, excêntrica, solitária, a frente de seu tempo, só não puxei sua disposição e aceitação, além do seu dom mediúnico.

Maria, uma interna divertida contava milhões de causas nos fazendo rir, não essa gargalhada histérica, mas essa risada de: Tá tudo bem, é a vida.

Malvina uma interna das mais antigas tentou nos contar sobre minha tia, mas havia muito pouco a se dizer.

Calada, trabalhadora, superadora, que adorava uma touca para esconder os cabelos vastos e rebeldes.

No outro dia, diversos problemas para a enterre-la, tivemos que enterar ela no lugar do asilo.

Depois diante da nossa compra de um jazigo, com caixinhas e paciência, conseguimos mudá-la depois de algumas horas para seu lugar definitivo.

Pronto. Hoje está lá arrumadinho, com plaquinha em seu nome, lajotas, o corpo da mulher que a vida abandonou e que apesar de tudo, levantava todos os dias calada, e se punha a trabalhar, ela e suas panelas, sempre com sua toca de lã.



A minha linda, queria tanta que tivesse passeado comigo, que fossemos tomar sorvete e que você dissese: ainda bem que não casei com aquele traste, se não é capaz de assumir o amor, que dirá as dificuldades.

Queria te contar do mundo, das coisas que vi, você ia amar ver os videos no celular, ia amar se ver filmada, assim como amava se ver fotografada.

Tia eu sinto muito, em meu nome (que muito pouco pode fazer por você), mas principalmente tia eu sinto muito por quem talvez poderia e não fez, não os culpo sabe, cada um tem uma vida, uma teia de sentimentos, resgastes, lugares, trabalho e acertos, além claro de escolhas.

Foi o que tinha que ser (?). E assim também foi para minha avó, ela é assim, por que, a história dela foi assim, a que matou a mãe, a que adotiva roubou o amor do pai, a que casada tinha que cuidar do sogro e da cunhada doidinha, a mimada, apaixonada, iludida, orgulhosa, submissa, a amada, a mãe desleixada, aquela que trouxe a vida a minha mãe e a mim.

Vó sei que você não é a vó que eu sonhava, mas você é a vó que eu tenho, e sabe vó eu entendo que as vezes nossas histórias nos sufocam, no dominam, nos afundam num lamaçal onde sair seja mais forte dos que nossas forças.

E mesmo assim Vó eu te amo de todo meu coração, assim como eu você não conseguiu ser aquilo que poderia, as situações e as nossas acomodações não permitiram, mas saiba vó que fomos o melhor do que pudemos ser.

E assim nos preparamos para ir embora, com mais histórias de possíveis traições (será que a minha avó era filha do meu biso que a adotou? Abafa, Por que a mãe dela pediu para ele cuidar dela? Por que sabendo que os filhos eram contra, mas mesmo assim ele aceitou? Por que os filhos a mal trataram? Por que eles tinham ciúmes? Por que? Por que?).

Felizes de ver minha avó bem.

Felizes dos dias que compartilhamos com nossos familiares e amigos, das risadas, das histórias, das alegrias, das coisas que não podemos consertar, era uma despedida gostosa, de paz, e de saudade, diferente de algumas vezes em que confusões ou desencontros deixavam um gosto amargo no nosso coração.

Minha mãe foi a primeira a se despedir da minha avó, ganhou vários beijos, e os olhos cheios de lágrimas de uma saudade que vai ficando cada vez maior, aquela de que os corpos se separam momentaneamente, e aquele abraço e beijo demora anos para se encontrarem de novo).

Eu como sempre me despeço achando que é a última vez, absorvo cada beijo, cada abraço, cada sentido, e achei aquele monte de beijos exagerados (minha avó não é assim) (Na hora pensei que era uma despedida).

Minha mãe saiu da minha vista e eu beijei minha avó, abracei, disse que a amava, ela disse: Vai com Deus minha filha.

E assim em questão de segundos, já saindo pela porta, ouvi um barulhão de algo caindo, algo não, muitas coisas caindo...saí na porta e....

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Compras na Tailândia e Camboja

Hoje vou mostrar um pouco as coisinhas que trouxe tanto para mim, como para presente da Tailândia e Camboja. 
Não colocarei valores, pois, muitos foram presentes, mas caso queira muito saber o valor é só me deixar um comentário com seu e-mail que passo os valores que eu tiver anotado.


Trouxe camisetas para meus meninos, duas eu já dei, mas uma ainda está aqui para presentear. (Essa especificamente eu comprei no Chatuchak):



Essa camiseta é para uma mocinha que amo muito. Comprei em Phi Phi e achei bem delicada e feminina. Os tamanhos lá são complicados, eles são baixinhos e magrinhos e com isso eu fico na torcida que sirva.



Na Tailândia como já disse em alguns posts anteriores, uma marca Coreana chamada Cathy Doll faz sucesso por lá, já que as orientais preferem uma pele branquinha e bem cuidada.

Tem no Seven Eleven e também na loja Karmart (Vários lugares na cidade) e em outras lugares.

Trouxe para presente e também para mim.

Lá é muito usado também a baba do caracol, máscara com pó de ouro (que dei para minha mãe e usamos numa tarde de beleza que fizemos com minha sobrinha e sobrinho aqui em casa...rs) e outras coisas que não faço ideia...rs...


Mais máscaras, essas comprei especialmente para 2 primas e 1 amiga que são bem próximas e queridas por mim, achei que tinha tudo a ver com elas.



Imãs não podem faltar né, esse de Tuk Tuk comprei no chatuchak (4 exemplares, 3 dei de presente e 1 para mim) e a máscara claro comprei dos menininhos que nos seguem nos templos, trouxe também para presente.


Esses imãs com as placas das prais e ilhas de Phi Phi eu comprei em Phi Phi claro.



Esses colares eu comprei para mim, e comprei numa lojinha no Templo Branco em Chang Rai.


Como pode ver eu amo colares e esses três eu comprei no Chatuchak, para mim, só aqui em casa percebi que amo a cor laranja...rs


E diversas pulseiras, alguns modelos eu trouxe parecido e dei de presente.

A primeira todo colorida eu comprei no Chatuchak.

As duas seguintes laranja e verde água eu comprei em Phi Phi e amei, ela tem um jeitinho de antigas, com pedra local e feita a mão.

A seguinte é dessas que dão três voltas, também feita a mão, também comprada em Phi Phi. 
Mas se você for até Chiang Mai é o lugar mais barato dessas pulseiras, infelizmente, no dia eu não tinha dinheiro suficiente (só podia sem em cash) e no outro dia quando levei o dinheiro a barraca que eu tinha gostado não estava. 
Daí quando vi em Phi Phi, mesmo sendo mais cara tive que comprar....rs.
No Asiathique também tinha apesar do preço igual ao de Phi Phi tinha as mais lindas de todas, vale a pena comprar lá, pela quantidade de modelos, cores e pedras.

A de dar voltas verde eu comprei no Chatuchak.

E a marrom eu comprei no aeroporto, acho que de Chiang Mai, a Dione falou que ela faz barulho, mas como não escuto....rs, eu não percebi...rs



Lá tem muitas capinhas para celular diferentes e comprei essa para mim...comprei no MBK (Shopping Bangkok), numa das milhões de lojinhas por lá.


Comprei um joguinho de incensos e a maioria eu já dei de presente, eram 6, comprei na saída do templo Wat Arun.



Comprei esse batom lindo, de presente de aniversário para algumas (3) amigas que fizeram aniversário nos meses que antecederam minha viagem e que não presenteei. Achei a cor linda e espero que elas tenham gostado também. Não trouxe um pra mim....rss... Comprei para todas nesse tom cor de boca.


Lá tem muitas lojas de cosméticos e comprei alguns esmaltes, alguns eu já dei, mas eram cores mais neutras para não correr o risco de alguém não gostar, esse brilhante é meu....rs



 Comprei 10 sabonetes diferentes e super cheirosos, a maioria eu já dei de presente e até usei, amei esse em formato de flor de lótus.


Eu só trouxe dois elefantinhos, um pra mim (esse da foto) e um para uma amiga que ama elefantes. Comprei claro em Chiang Mai.



A Tailândia  e a Ásia em geral, como disse em alguns posts é uma grande fabricante de seda e trouxe uma echarpe para mim e uma para minha mãe, na foto a minha. Comprei na loja do hotel no Camboja...rs. (Tinha uma qualidade e um preço muito bom).


Esse moedeiros fofos, era um jogo com 6 unidades e comprei no Mercado Flutuante. 



Esse infusor de aroma de orquídea eu comprei na ilha de Ko Phi Phi, como disse nos posts da viagem, a Tailândia é um dos maiores produtores de orquídeas do mundo. Até tinha uma caixas lindas para você trazer na viagem no aeroporto, mas achei muito trabalho, e nem perguntei quanto custava também, e como minha mãe ama, eu trouxe esse infusor pelo menos para a gente sentir o cheirinho...rs




Esse biscoito eu comi um semelhante no passeio de elefante e gostei muito, embora eu ache que o do passeio fosse caseiro, era rosa, lindo e gostoso. Como tinha meus últimos Baths, comprei essa caixa no aeroporto de Bangkok no embarque para o Brasil.... Foram meu últimos baths na caixa.... eu gostei muito e acho que aqui no Brasil não tem(?).


Esses biscoitinhos Cambojanos ganharam meu coração e trouxe umas 3 caixinhas. Tem de coco, manga, gengibre (o meu preferido) e de Durian (uma fruta fedida que parece nossa jaca, que é muito utilizada pelas bandas de lá e que não experimentei devido ao cheiro forte).

Comprei no mercadinho ao lado do nosso hotel em Siem Reap. É amanteigado.





A famosa canga e uma saída de banho todo colorida, assim como uma chapéu preto você pode ver nas fotos da praia (Chapéu é uma coisa bem complicadinha de levar na mala, até tenho um lindo que ganhei de presente de uma amiga, mas não levei e lá me vi obrigada a comprar um). Tem cangas lindas baratinhas.... se jogue, saída de praia continuo procurando uma, ainda não encontrei.

Como uma ilha tinha diversas coisas para a praia e não resisti a essa mochilinha á prova de água, que todo mundo por lá tinha....rs, tinha diversos tamanhos e cores e você enrola e torna ela no tamanho para suas coisas... Ela tem uma alça e achei muito charmosa.


Também comprei dessas sapatilhas para praia que protegem o pé das pedras, areia, corais. Uma amiga também comprou e usou, esqueci de perguntar se ela gostou, mas eu achei bem barato e senti falta quando fui em Recife na praia de Carneiros de algo assim, pois, andamos num coral e o chinelo se não fosse desses de prender (no caso ainda não tinha comprado o meu), o chinelo saia do pé. Acho legal para raffiting, cachoeira, etc, vamos ver.



E por último, minha mala reserva que amei, ela se transforma nessa necessaire e você pode levar na viagem e só abrir na volta, quando geralmente precisamos de uma mala reserva...rss... (lembrando que fui que uma mala média de rodinhas e uma mochila como mala de mão que utilizei lá nos passeios, e que não podia andar com mais do que 30 quilos de peso nos voos internos, isso, por que, comprei peso extra, mas na volta podia despachar duas malas de 35 quilos cada, além da mala de mão e da bolsa..ufa, mas nem deu tanto peso assim).



Coisas que não trouxe e que me arrependi profundamente:

Eu queria muito uma máscara dessas de colocar na parede, infelizmente vi na Rambutri, vi também em Chiang Mai, mas não sei por que não comprei....rss....Passou e quem for e quiser trazer pra mim eu agradeço...eu pago!!! rs. QUERIA MUITOOOO

Tinha uma vodka especial com a garrafa toda desenhada da Tailândia, embora, não beba, fiquei com vontade de comprar.

Também não comprei chocolates Lindt de manga (fruta muito utilizada na culinária Tailandesa). (Fiquei com vontade).

E queria ter trazido as bolsas, carteiras, e coisas estilosas que vi no Asiatique, mas fica para uma próxima...rs.

Em tempos continuo prometendo para mim mesma que não trarei nada numa próxima viagem, mas essa já melhorei muito, pois, foquei bastante na minha pessoa (conselho dado por minha mãe e diversas pessoas...rss), mas ainda não consegui não trazer um mimo para algumas pessoas.

É bem complicado ficar fazendo compras (presentes) em viagens, por que, a gente é pobre...rs, e a viagem em si já demanda uma quantia grande á vista, mas tem pessoas do meu convívio (aniversariantes) que eu acho que será impossível eu não trazer nada...rs....mas vou melhorar eu prometo.

E em minha defesa confesso que as coisas baratas de lá fazem com que a gente não resista a um consumo básico...rs


segunda-feira, 19 de junho de 2017

Frases inocentes chocadas contra exibição e fofoca.




Eu contando para a Bia no carro (por que seu pai teve que operar a Hérnia e eles tiveram que vir para casa), que aqui no blog tem uma sessão de histórias sobre eles...

Ela chocada diz: Nossa Tia pensei que só a minha XX fosse fofoqueira...

Rssss

Eita...pelo jeito ela não curtiu eu contar as coisas dela por aqui não.