segunda-feira, 5 de abril de 2010

A triplice aliança

Ando sonhando direto com o casamento da minha prima que irá se casar em Maio, serei com muita honra sua madrinha, e como par terei meu melhor amigo Rollin.
Tenho pensado muito sobre amizade e transformações, a vida de todos nós se modifica, alguns casam, tem filhos, separam, namoram eternamente, mudam de cidade, emprego e até opção sexual...rss
Eu sempre tive uma mania aquariana de ser de manter tudo e todos juntos, independente do que acontecesse, eu queria todo mundo de baixo das minhas asas, sobre a minha supervisão, com a maturidade fui percebendo que isso não era sempre possível, e ainda estou lidando para descobrir quais pessoas temos que deixar partir e quais temos que tentar, apesar dos desencontros, manter.
Mas também fui percebendo que amizades construidas em bases sólidas, passam pelas transformações da vida e não há nada, nenhuma situação que as façam serem perdidas.
É assim minha relação com minhas três melhores amigas.
Ká, é minha prima de sangue, e tivemos que viver juntas, mesmo que não quisessemos, temos apenas seis meses de diferença, e meus pais são seus padrinhos, tudo que ganhei na infância a Ká também teve, era uma bota de franjas cinza para mim, uma marrom para ela, e por aí vai.
Ela se mudou para o Paraná quando fez quinze anos e aí sentimos o peso da nossa distância momentanea tripidar, o medo tomou conta e nos grudamos de novo, apesar das rusgas da adolescência, por conta de paqueras, e ciúmes dos amigos.
Passei muitas férias com a Ká, vi ela conhecer seu marido, fui sua madrinha de casamento, ela desistiu dos seus paqueras e me deu sinal verde, fizemos muitos desfiles de moda de madrugada e comemos mexido, andamos em muitas rodas gigantes que pareciam tombar se o vento quisesse de mão dadas com nossos paqueras, vi ela mudar de cidade, sofrer reverses financeiros e vi ela ter filhos (duas coisas fofas).
Ela é a irmã que não tive e tanto sonhei em ter.
E hoje apesar das diferenças que existem entre nossas vidas e as escolhas que fizemos a Ká é uma das testemunhas da minha vida.
É com ela hoje que ando de barco em sua casa de campo, dividimos dicas de cremes de cabelo, desejo que me case com um homem da igreja, e dividimos o sangue da nossa família.
Seremos sempre primas, melhores amigas e irmãs.
A Dê e Rê são filhas de uma das melhores amigas da minha mãe, de infância, nossas mães cresceram juntas e nós também.
Com a Dê eu viajei para lugares incríveis, passei as férias mais maravilhosas da minha vida, gentilmente ela me incluiu na turma de viagens mais louca e divertida da minha vida, que são os "Chubas", ela e a Rê (sua irmã) são minhas personal everything (de cremes, roupas, restaurantes a escova de dentes..rss), mas o que mais me emociona quando penso nelas  é o quanto dividimos, apesar da distância, nossos momentos ruins e principalmente muitas risadas.
A Dê em especial é a mulher mais generosa e amiga que conheço na vida, ela esteve ao meu lado em todos os momentos que precisei e que nem imaginei que precisasse.
Principalmente quando estive doente, ela veio me ver muitas vezes, e no meu transplante, esteve ao meu lado me dando muita força, foi uma das primeiras pessoas que me estendeu a mão quando eu voltei do CTI.
Ela também é a irmã que não tive, e é graças a ela, a sua força e determinação em sua conduta que hoje apesar das bobeiras de adolescente nunca brigamos ou nos distanciamos na vida.
Hoje ela vive um momento todo especial, e me sinto previlegiada de poder estar presente nesse momento, o seu casamento, sei que em breve serei a Tia Coruja de algum serzinho que papai do Céu irá enviar para minha melhor amiga de presente e o amarei sem limites também.
A Dê sempre será minha prima de cabelo, escolha e coração!
A Cláu, morava na rua que nasci, e nem sei como nossa amizade começou, mas me lembro que colocavamos pano no ralo em sua laje e nadavamos feliz numa piscina improvisada de alguns centimetros de espessura, é a primeira lembrança que tenho da Cláu, mas depois vieram tantas outras:
As domingueiras na Filds (Palmeiras), os oito anos estudando no Portugal, e os três no Alvez Cruz, nossos primeiros empregos, os namorados doados, os shows, as viagens para Cornélio para visitar minhas outras duas melhores amigas, as roupas emprestadas e roubadas por ela que nunca mais eram devolvidas a menos que você fosse buscá-las com escolta, os bilhetes depois das brigas pedindo desculpas, a idas ao médico juntas quando nossos pais que sempre trabalhavam não podiam, e tantas coisas coisas que não cabem aqui.
Vi minha amiga ficar grávida, casar, descasar, sair na balada atrasada comigo, e essa foi uma época de muitas risadas e diversão, só nos duas nos bastavamos, só nos duas já fazia a noite valer a pena, até que ela viu a amiga dela ficar doente, ela sofreu muito, e a dor era tão grande que ela não soube lidar, e foi aí que nos distanciamos, eu precisa de tempo para sobreviver e ela achou melhor ficar de fora.
Confesso que sofri muito com sua ausência, mas administrei da forma que pude, ela era na minha lista a amiga que estaria comigo no hospital, em minha casa, me empurrando na cadeira de rodas para passear, mas não foi exatamente assim que aconteceu, e hoje sei que da forma que aconteceu era do jeito certo, para crescermos e aprendermos a lidar com situações que nunca imaginavamos.
Hoje eu sei que a Cláu me deu todo amor que podia, e não lidar com as minhas perdas da forma que imaginei é um problema meu, expectativa minha, eu não sei como é lidar com uma amiga doente como fiquei, e portanto, não sei como agiria também, provavelmente ninguém saiba.
Também penso que tudo que vivi com minha melhor amiga fez com que nossa amizade fosse tão forte, tão absoluta que não existe nada que faça com que o amor que sinto por ela e que sei que ela sente por mim seja diminuido, a vida pode mudar, como tem mudado sempre, podemos nos decepcionar, mas sei que nosso sentimento, nosso amor continuará intacto, por que ele foi construido e é como as arvóres com troncos muito resistentes, que balançam com os ventos fortes, perdem algumas folhas, mas primavera a primavera dão flores lindas.
E quanto a Cláu, ela se casou de novo, teve mais um filho, se mudará para Recife em breve, continuarei sentindo falta da minha melhor amiga, mas sei que nada mudará, por que o amor que temos vive dentro de nós duas e sempre viverá.
Essas são as três testemunhas de que minha vida valeu a pena!
E a elas a minha mais profunda gratidão, foram elas que me ajudaram a ser a mulher que sou hoje.

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