quinta-feira, 29 de abril de 2010

O sapo e o príncipe - Roma/Napolis/Capri/Napolis/Roma - Dia 18/04/2010

Comecei bem o dia não encontrando meu trem no painel para ver o binario (plataforma) que teria que ir e faltava 15 minutos para ele sair.
Fui pedir informação, mas a fila da bilheteria era gigante, não encontrei balcão de informação e catei o primeiro homem que achei com roupa da trenitalia, graças a Deus ele era uma boa alma, foi comigo até o painel e me informou qual era, meu trem ia para Palermo e a Palerma quase o perde.
No trem sempre a dúvida, se está no certo, no lugar certo, na classe certa, até que o bilheteiro passa e graças a Deus não berra para vc descer na próxima estação por que está no trem errado...ou pior ir para a outra classe...kakakaka!
Em Napolis o tempo está escuro, começando a chover, pergunto para duas nonas como faço para chegar ao porto, elas me explicam, super simpáticas, mas ao chegar no ponto não consigo identificar o ônibus que me indicaram, resolve seguir as placas que indicam o caminho para o Monte Beverello, encontro, são uns 20/25 minutos de caminhada, chegando perto pergunto para um nono com boinha, onde é a entrada do porto ele me explica e pergunta se vou para a Isla...
Lá no porto uns oito alemães também vão para Capri e me seguem até encontrarmos a bilheteria, tudo que falam eu só sorrio e digo YES!
Infelizmente os horários da tragatta são péssimos para mim, são 11 e o próximo saí ao 12h15, demora 50 minutos, e a volta só tinha para 15h40/19h50 e meu trem já estava marcado para às 19h30, ou seja vou para ilha, mas volto em duas horas...affff.
Espero anciosa a hora passar, não tomei café por isso compro essa bolachinha salgada que vira meu café da manhã de todos os dias...rsss... tiro uma fotinha de mim com meu modelito la mafiosa








Na tragatta a chuva apertou, ou seja, a gruta azul dançou.


Lá é lindo, suas casinhas coloridas dependuras no despenhadeiro, muitas flores, jardins, e seu mar translúcido com seus barquinhos à deriva.

Vou até o centro, tem uma placa por um caminho ingreme somente para pedante (pedestres), e apesar de chovendo escolho ir por lá, bom esse não é o melhor caminho para quem tem duas horas de visita, chovendo e sozinha..rss..mas é lindo, cheio de flores, jardins espetaculares, casas de várias desnivéis, os lances de escada parecem não acabar, são cheios de curvas e você não consegue ver onde acabam, quando você chega ao fim de alguns dos lances e parece que chegou ao Centro, você atravessa a rua e o caminho tortuoso continua...Tudo cheira a limão, aquele limão enorme, amarelado, doce, todas as casas tem pés e mais pés dessa fruta.
Por que não subi de ônibus?















Estou exausta, encharcada e de tênis (claro que hoje eu resolvi não colocar a bota...rsss...para ir para a praia imagina, minha sorte foi que coloquei uma meia na bolsa).
Em uma das ruas que tive que atravessar um guarda me olha enquasquetado e me pergunta onde pretendo ir..rss...aponto a placa do Centro, ele balança a cabeça sem acreditar no que ouviu e diz "vá vá" já que vim até ali agora só falta uns quatro lances..rss..suspiro e continuo a minha caminhada, olho para trás e ele está com cara de quem está pensando:
Por que essa louca escolheu esse caminho que é excelente para a alma, mas péssimo para o corpo?
(Excelente pergunta responderia eu).
Bom finalmente chego ao Centro, Humberto I, as lojinhas são lindas com coisas lindas, mas caras demais.
Nas vitrines tudo verão e eu doida por um casaco quentinho que me aqueça nesta primavera/inverno chuvoso..rss
Desço de ônibus dessa vez...temo encontrar o guarda de novo e ele comprovar que sou doida demais...rsss...e o motorista do ônibus é que é, as ruas são estreitas de pedra e ele desce feito louco e breca em cima do outro carro, moto, ou ônibus que vem no sentido contrário, fora que tem que meio que manobrar para fazer as milhões de curvas e tudo isso numa chuva forte. (Bom freio e sangue frio tem esses italianos).
Compro alguns docinhos, um azeite com LIMÃO claro, o dono da loja fica entusiasmado quando digo que sou Brasileira, e diz que tem uma atendente que também é Chica (rss), (penso que ela deva ser mexicana..rsss) e tenta conversar em Português comigo...rss...Ufa dou uma descansada no Tico e Teco que misturam inglês, espanhol e Italiano male male.
Como um lanche e está na hora de deixar essa ilhinha encantadora. Fico na polpa da tragatta me despedindo, ao meu lado o barco que faz o passeio para a Grutta Azul, um dia eu volto, espero eu.
Na tragatta ao meu lado um sonho de consumo, ele dorme e fico lá admirada, pensando se ele acordaria se eu tirasse uma foto dele...rsss.
Mas me arrependi demais queria ter tirado pra lembrar para sempre qual é o meu modelo de homemm..rss
Mas foi melhor assim, vai ser difícil alguém alcançar essa perfeição e eu nunca ia encontar o homem dos meus sonhos..rss
Estamos chegando ele acorda e acho que fica me olhando, eu nunca soube e agora esta mais difícil paquerar, desvio o olhar, mas dou um sorriso de vez em quando. Ele olha eu não olho, ele não olha eu olho..rss
Eu e ele esperamos as pessoas descerem, a hora que levanto ele também, vem atrás de mim, ou foi coincidência ou ele está me paquerando, ainda não sei...rsss
Segue atrás de mim, lembro da garrafa de água que tenho nas mãos e dou uma voltinha para jogá-la, ele para e me olha.
Agora ele segue na frente e eu vou atrás, meio que o sigo, ele olha para trás toda hora e eu sorrio.
A chuva está forte, estamos de guarda-chuva, ele está indo á pé para o caminho que tenho que ir.
Ele continua olhando para trás e eu continuo em dúvida se é para mim.
Sempre dúvido que seja para mim...por que será?
Desisto de segui-lo, por que o bom senso me lembra que é bobeira fazer isso.
Ele vai pela calçada da esquerda eu pela da direita, entre nos um canteiro de obras, com aquelas borrachas furadinhas laranja nos separa.
Ele me olha toda hora, eu sorrio e agora olho de volta, em um momento ele para e faz com a cabeça para eu ir para aquela calçada, atravessar, mas o tapume e todas as barreiras que criei não deixam.
Faço com as duas mãos que não dá e que lá na frente (no futuro) a gente vai se encontrar, eu e meu sonho de consumo, o homem dos meus sonhos e sigo em frente, sonhando, imaginando que ao final dos obstacúlos do tapume, lá adiante eu consiga atravessar, tenho certeza que ele continuará andando ao meu lado, na outra calçada e que lá na frente o tapume me deixerá encontrá-lo, só que isso não acontece nunca, está demorando demais, chove muito, tá frio, me sinto só.
Um carro para ao meu lado para oferecer carona, é um quarentão metido a burguês, finjo que não é comigo, continuo andando ele vem e abre a janela, fala para que eu entre, faço que não com a cabeça e continuo andando, ele se vai.
Olho para trás e o sonho de consumo está com as duas mãos no negócio de borracha laranja, parece que está vendo, tocando, tentando se desvencilhar para me encontrar.
Essa é a última imagem que tenho dele, por que, eu continuei andando, seguindo em frente a passos largos, querendo que ele consiga atravessar, mas não fazendo nada para ajudá-lo.
Provavelmente ele entrou em alguma rua antes, percebi que andei mais do que devia, e na verdade eu também tinha que ter entrado naquela calçada, era ela a calçada correta para mim também.
Apesar de olhar e não vê-lo mais, continuo achando que vamos nos encontrar eu e o homem da minha vida mais a frente, mas não foi desta vez.
Fico muito triste de não ter sido agora, de não ter acontecido e embora eu acredite que talvez Deus esteja me protegento, meu "eu" romantica e sonhadora queria ter superado o tapume e qualquer outra barreira e ter tentado atravessar e mesmo não conseguindo, por que ele é grosso e difícil de quebrar ter parado segurado suas mãos entre os furinhos, dado um sorriso e gritado:
ROMEU!
Rsss
Sentada na estação com os olhos cheios de lágrimas e desapontada comigo, com Deus, com o sonho de consumo, com a chuva, com a obra na rua e principalmente com o tapume laranja...penso nas oportunidades que a vida coloca em nosso caminho e em até que ponto somos guiados pelos destino, por uma força maior, em quantas vezes nosso amigo espiritual nos protege e nos guia e em até que ponto nosso livre arbítrio, nosso medo, nossos traumas, nossos impulsos, nossa falta de parar e pensar, nosso orgulho, modifica tudo, se por um momento eu não achasse bobeira e continuasse seguindo-o, afinal, pelo caminho que eu deveria seguir, o caminho certo, se quando ele acenou eu tivesse voltado e o alcançado, provavelmente ele me esperaria, se ao menos eu tivesse gritado ROMEU...RSSS...Por que Dio Mio...Por que?
Estou nessa indagação que é constante na minha vida principalmente amorosa quando senta um moço italiano, não tão lindo como o homem dos meus sonhos..rsss e começa a conversar, de cara eu o acho saidinho (coloca a mão na minha bochecha, me chama de linda, mas de um jeito invasivo), quer meu número de celular, embora, eu não vá ficar lá em Napolis, quer saber se irei dormi em Napolis, bom não gosto das perguntas e não estamos conseguindo nos comunicar desisto e levanto, ele me segue, grito para parar de me seguir.
Aí outras indagação me dominam, por que, eu falo com esses malas normalmente e com Deuses Gregos eu nem consigo olhar direito, por que em algum lugar dentro de mim eu acho que não mereço o príncipe, mas sempre dou cinco minutos de chance para o Sapo?
Bom mas durmo pensativa e o último pensamento que me domina é que felizmente embora eu tenha atraido o mesmo tipo de gente mala durante a vida, parece que agora ando atraindo Deuses também, cabe a mim agora dar chance aos príncipes de se aproximar, dar 1 hora de chance a eles...rsss...e colocar um tapume de obras entre eu e os sapos.
Que assim seja amém!


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