segunda-feira, 17 de maio de 2010

Apego

Eu ando meio tristinha...muito fechada em casa...meio com fobia de gente e com pavor de muita gente...rss
Talvez seja essa indecisão em relação ao o que irá acontecer com minha mãezinha, que está, como eu estive há um ano atrás, na fase de ir para diálise ou conseguir um doador compátivel para fazer o transplante renal e com isso se livrar dos mal-estares, do cansasso, do desânimo, da prostação.
Lógico que isso tem um peso incontavél em minha vida, por que, vejo tudo se repetir, e sei como nos sentimos com essa eminente falta de futuro, da falta de vida plena.
Mas também tem eu, esse euzinho que anda sem saber direito que estrada seguir..
Sinto que é um momento de transição em minha vida, de teste, de resignação, mas ainda não consegui me livrar totalmente do apego, da ilusão de vida, da dúvida e dos picos de falta de fé.
Sei que estou mais fortalecida, mas alguns ventos ainda me balançam.
Faz um ano também eu resolvi dar uma redecorada no meu quarto, e comprei uma mesinha que me serve de criado mudo e mesa e comprei um vaso lindo para colocar nela, ele nem chegou a ser colocado, na caixa mesmo eu quebrei o danado.
Agora quando fui para Itália trouxe um lindo, com uma rosa de murano.
E hoje tão arrastada que estou, meu pijama, que está sendo meu uniforme, ficou preso na gaveta da mesinha e puxando a rosa foi ao chão e se espatifou.
Meus olhos encheram de lágrimas, por ser uma lembrança da minha viagem, uma coisa que desde que comprei a passagem eu queria trazer de lá para enfeitar a minha mesa.
E aí ao vê-la espedaçada, me deu ainda mais tristeza, e comecei a repetir para mim mesma que era apego, que aquilo é só uma flor de vidro, um objeto inanimado, sem muito valor, que se quebrou...
Minha outra parte do cerebro, a que ficou puta, repetia sem parar que não tenho sorte, que já tinha quebrado o primeiro vaso e que quebrar o segundo significa que a flor não quer viver naquele quarto..rss
E assim meu anjo e meu demônio que vivem dentro de mim debateram durante algum tempo, e foi então que eu percebi o quanto ainda sou apegada não ao valor material das coisas, mas ao valor emotivo que eu mesmo crio e como é difícil desfazer aquilo que criamos.
Eu já amava aquela flor azul, depositei meu amor ali e ela morreu, esfarelou no chão, não ficando comigo o tempo que eu julgo suficiente, para sempre!
Leva-se um tempo para se recuperar de perdas assim.
Ainda é recente e minha flor azul faz falta dentro de mim, mas daqui uns dias estarei recuperada, mas nunca mais sararei, sempre sentirei falta da flor azul que trouxe com todo amor e cuidado de Murano para enfeitar meu quarto, para enfeitar a minha vida, mas que infelizmente por conta do destino ou por eu estar me arrastando não conseguiu mais ficar comigo.
Já perdi pessoas na minha vida, lógico, mas foram amigos, meu avô quando tinha seis anos, tios quando tinha nove, e percebo como somos apegados a essas bobagens de flores, bibelôs, fotos, e percebo com isso que os treinos que o destino nos proporciona ainda não são suficientes para nos prepararmos para perdas (mesmo que momentâneas) das pessoas que depositamos nosso amor.
Hoje com essa tristeza dentro de mim, meus olhos pesam, lacrimejam, suspiro e minha alma percebe que embora eu saiba que precisamos aprender a nos despedir das coisas que amamos, ao mesmo tempo percebo que nunca estaremos, mas quando chegar a hora da despedida, cada lágrima derramada, cada saperto no peito, cada dor no corpo e surtos farão com que a resignação e a aceitação aconteçam.
Que seres burros somos nós que só aprendemos ao mesmo tempo que as coisas acontecem?
E assim como a flor azul espatifada no chão, que demorarei dias para aceitar a sua ida, e sempre sentirei saudade e uma dor no peito, assim será também com aqueles que partirão...ou que já partiram:
Vô Zico.
Tio Jaime
Dna Madalena
Tio Lazinho
Tia Jô
Vó Ana
Dú.
Aos que já foram, fica aqui a minha saudade, aqueles que não foram e que um dia eu terei que me despedir o meu amor, a minha já saudade antecipada.
Por isso eu vou amá-los cada vez mais, por que, sei que um dia, sem mais nem menos irão partir me deixando com essa sensação de impotência, de olhar para os cacos no chão, querer colá-los e saber que nunca mais a flor azul voltará, mesmo que colada a ser a flor que eu tanto amei.

3 comentários:

  1. Lindo texto!! Num momento que também ando cheia de indagações... minha mãe tb anda doentinha - sim pouquinho perto da sua! rsrsrs sem comparações idiotas... Mas pensei na sua flor azul, no meu maior diamante que se foi sem se despedir... e em todas as outras perdas que me esperam.... que nos esperam! Força, luz e desapego pra nós!!

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  2. Que assim seja minha flor azul....que aprendamos a nos desapegar....quando chegar as várias horas...um beijo grande.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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