quinta-feira, 22 de julho de 2010

Eu tenho SORTE na vida.

Sempre falta um detalhezinho...uma coisinha, pessoas que quero convidar...
E foi assim que hoje eu saí de novo para comprar algumas coisinhas e passei no Alvorada Moema onde fiquei internada pela primeira e mais dolorosa vez.
Primeiro um pulo na dialise, entreguei uns livrinhos e que delícia, as pessoas ficam muito felizes de me ver.
Encontrei Dr. Valcir que no livro é o médico transplantado.
Ele está ótimo, saúdavel, gordinho, e fiquei muito feliz de vê-lo bem.
Como todos os médicos ele me diz que tenho muita SORTE, e que é maravilhoso me ver bem, e que há alguns dias atrás ele falou sobre minha história.
Parece que ela é usada para mostrar para as pessoas que apesar de grave podem ser salvas.
Me deu um abraço carinhoso e ficou emocionado com o livrinho, disse que estava arrepiado, me parabenizou pelo iniciativa de distribuir os livrinhos.
Encontrei algumas enfermeiras da minha época a Cris, deixei um para a Sabrina que era uma fofa na UTI comigo, embora eu não lembre...rsss...mas a minha mãe gostava muito dela.
Encontrei a Lilian que era uma enfermeira novata...
A Vivi que cuidava das papeladas.
Infelizmente descobri que meu amigo Charles que tinha feito o transplante está lá dialisando novamente, pois, o transplante dele não deu certo, a doença que tem passou do rim doente para o transplantado.
Fiquei muito triste por ele, já sentia, pois, ele não retornou mais minhas ligações, não sei se trocou de número ou se não queria falar comigo.
Deixei um livrinho para ele e o recado para me ligar, espero que ligue, também o convidei para o Sarau, espero que vá.
Fiquei triste também por que a maioria que dialisava comigo voltaram para a casa (desencarnaram)...pessoas que eu gostaria que fossem no Sarau dividir seus depoimentos com os demais...agora só quando nos encontrarmos de novo no outro plano.
Enfim....triste ou alegre, é sempre bom voltar lá e saber pelo o que passei, o quanto tenho SORTE..rsss...e o quanto Deus foi benevolente comigo.
Deixei livros para Dr. Henrique, Dr. Fernando, Dr. Moacyr (Da alegria), deixei para o Joel também meu enfermeiro querido.
A Cris psicologa não acreditou quando me viu...ficou super empolgada por eu ter escrito.
Nesses fotos sou eu na dialise, sempre me deixam entrar...rsss, embora seja proibido, e a enfermeira Cris, ela cuidou de mim na época que dialisava.

Sempre que vou é uma festa, uma delícia, amo ir lá quem sabe dar uma luz para quem precisa.
O livrinho foi feito para isso!
Que bom que está começando a cumprir o seu papel.
Depois da dialise fui no sétimo e depois na UTI.
Bom lá as pessoas estão com a cabeça abaixada, esperando para entrar na visita, e sempre me comovo demais, imagino a dor, a angústia, o inesperado que aguardam.
Lá senti vontade de presentear um moço assim...ele me agradeceu muito, sei lá, acho que ele precisava disso.
A Lau enfermeira da UTI que eu queria convidar para o Sarau, estava na outra UTI, Coronária, e fui lá que entrei, também me deixaram...rsss....
A Lau me contou que eles estão fazendo palestras e falando como é o relacionamento deles com algum dos pacientes e ele...adivinhem...contou a minha história...rsss...
Fiquei na central conversando com a Lau, e com as outras e uma enfermeira me chamou a atenção, eu disse para ela que lembrava dela, mas não sabia de onde.
Bom conversa vai, conversa vem, ele perguntou se eu era a moça da ZZ, lá eu era conhecida por trabalhar com a ZZ, e ter como médico o Dr. David Uip o que deve ter causado problemas também...rsss...com os demais médicos (coisa de ego), e também como a moça do pé.
Ela lembrou de mim e me disse que um dia, ela me levou para dialisar no outro andar, pois, eu estava no quarto e quando ela estava me levando de volta para o quarto, eu tive uma parada cardiaca, quase morri, ela teve que me socorrer e do elevador mesmo ela me levou para de volta para a UTI.
Foi então que eu percebi que meus pais não me contam tudo, eles não gostam de falar que tive hemorragia, que me viram ter, que tive parada respiratória, cardiaca, e outras coisas mais que eu não me contam.
(eu pergunto como era o meu tubo da entubação, se tinham me ressucitado, enfim, minha mãe sempre diz que "acha que não"...mas não é verdade, ela sabe, mas não gosta de me contar, de lembrar..)
As pessoas me diziam que tinham me visto com sangue, etc, mas minha mãe sempre as desmentia...rss
Por um lado eu acho uma graça ela querer me proteger, querer que eu não saiba dos detalhes que machucam, minha mãe sempre foi uma pessoa de colocar pedra em cima das coisas e não seria diferente na coisa mais dolorosa pelo qual passou.
Assim eu fico com as minhas lembranças, tentando desesperadamente juntar os pedaços, saber coisas, detalhes, nesses cinco anos eu pergunto quase todos os dias alguma coisa relacionada a minha estadia lá, mas me sinto poupada, enganada, faltando pedaços.
Nunca vou entender o que aconteceu comigo, o que o meu corpo viveu, mas pelo menos o que a minha alma viveu, embora eu não consiga explicar direito, é meu, somente meu.
Infelizmente o que meu corpo viveu antes, e durante, algumas pessoas sabem, mas não me contam.
O que minha alma viveu durante só eu senti, mas não posso contar direito.


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