sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Preciso colocar os dois pés para fora.

Tenho pensado muito sobre a solidão que me encontro, repito para mim mesma que estar comigo mesma e estar feliz é um passo gigantesco para alguém como eu, que não sabia silenciar, que não queria de jeito algum ficar só.
Ter ido para Itália sozinha, pela primeira vez em outro país, em outra cultura, causa estranheza e assombro para a maioria, dizem que sou corajosa.
Eu não penso assim, simplesmente por que eu tive que aprender a viver assim, a me jogar, a diminuir a expectativa e angústia que sempre balançavam meu coração.
Eu tive que aprender a duras penas a silenciar minha alma, meus desejos, minha vaidade excessiva, minha superioridade ilusória.
Tive que aprender a não ouvir as palavras ditas, mas a compreender os gestos, os olhares, o sorriso amarelo e escancarado.
Venho aprendendo a ficar cada vez mais comigo, a descobrir as coisas que gosto e desgosto e me perguntar por que eu não gosto e por que eu gosto.
Aprendi até mesmo a experimentar comidas, temperos, que me causavam estranheza.
Acho que estou aprendendo a me jogar na vida, que nem sempre traz aquilo que eu quero, mas sempre me ensina além do que eu poderia imaginar.
Hoje ouvi falarem novamente sobre as expectativas que criamos em nossas mentes, nem sempre o desejo profundo do nosso coração.
Faz tempo que ouvi e prestei atenção nessa palavrinha, estranhamente ficou gravado em meu coração como se tivesse sido cravejado, loucamente foi explicado brilhantemente por um moço bem mais novo do que eu, lembro de ficar martelando, pensando e repensando o que ele me disse e naquele momento, nos meus vinte e poucos anos eu ainda não compreendia o que compreendo hoje.
A expectativa, naquele tempo era amoroso...rsss, é um veneno que domina seu corpo, sua mente, seu coração, fazendo com que você não enxergue as flores e até mesmo os caminhos torturosos, mas que te levam onde você deve ir.
A expectativa te confunde, te aprisona, te faz focar no final, no desejo, no ilusório, e te frustra quando não atingimos aquilo que desejamos, aliás nos frustra mesmo que o resultado seja próximo do que esperavamos, pois a expectativa é carrasca e não aceita nada que não seja exatamente como imaginado.
Doideira!
Faz tempo que estou assimilando a conversa com este sábio garoto, e acho que continuarei...rsss
Contava a ele que estava saindo com um moço e que ele havia desaparecido, e o sábio garoto me disse que eu estava sofrendo por que tinha criado expectativas em relação a relação imaginária que eu criei.
Se eu tivesse vivendo um dia de cada vez, sem esperar nada, não sofreria a ausência do paquera.
Achei tão incrível o que ele me dizia, mas meu coraçãozinho tão angustiado não entendia ainda.
Como desapegar da expectativa, como ir para lugares, encontrar pessoas, planejar, sem criar expectativas.
É essa a pergunta que me faço a cada dia, estou buscando entender, compreender, como fazer essa balança ficar parada, estável, reta.
Acho que cada um de nós descobre o seu jeito, eu estou em busca do meu.
Hoje eu ouvi algo parecido com a minha busca e meus pensamentos a respeito, um moça falava para outra que um rapaz havia lhe convidado para sair, mas que ela ainda não estava pronta para esquecer o marido morto, por que a expectativa de algo novo pode inspirar como também frustrar.
E que chegaria o dia que ela teria que fazer a aposta na expectativa correndo o risco de inspirar, focar em novos caminhos, novas relações, como também se frustrar e nada sair como desejado, ser abandonada, enganada, sofrer.
Eu estou assim, com um pé dentro de mim e o outro ensaindo para buscar o mundo.
Ando chegando a conclusão, temporária..rsss, de que não existe como não criar expectativas, não tem como comprar uma passagem para algum lugar e não imaginar, desejar conhecer, fazer listinhas no meu caso...rsss, não tem como conhecer alguém com quem conversamos por horas e não imaginar se talvez aquele seja o seu parceiro desta vida, de uma hora, de uma noite...
Portanto, acho que o segredo, o pulo do gato é criar o menos possível de expectativa, mas apostar na vida, nas novas experiências, e quando tudo acabar seja a frustração ou a inspiração o seu prêmio, que aceitemos com amor e resignação o presente que a vida nos deu.
Eu quero voltar a apostar novamente!
E como diz o rei...se chorei ou se sorri o importante é que emoções eu vivi.

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