quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O dia em que precisei do silêncio para falar muitas verdades.

Eu quero contar uma história aqui, antes que eu me esqueça, por que, ela é muito especial para mim.
Bom quando eu fiquei doente, o Rafa meu sobrinho, tinha ainda três aninhos e ainda não vinha passar muito tempo sozinho aqui em casa, só com os pais dele.
Daí tudo aconteceu, e fiquei algum tempo em stand bye de vida, de presenças.
Lembro que meu irmão várias vezes chorando me dizia que eu tinha que ficar boa para participar da vida do Rafa, da Bia que estava prestes a chegar nesse mundo.
Lembro também que quando ele falava aquilo para me animar, quando eu perecia, eu sentia que era tão sincero esse desejo dele que realmente me animava.
Apesar da minha prostração naqueles tempos, ver o Rafa, a Bia, o Ri chegar, mesmo que não conversassemos, mesmo que eu estivesse triste, sei lá só de tê-los pela casa, seus passinhos, seus sorrisos, sua presença já alegrava meu coração.
Quando voltei a dirigir, ainda fraca, eu e o Rafa começamos a passear sozinhos, numa promessa feita pela vida que eu tinha que ficar aqui, por que um dos motivos era que eu talvez não venha a ter filhos, mas serei a Tia mais presente e entregue que eu puder ser na vida dos meus sobrinhos.
E foi num desses passeios, num parque de diversões desses tupiniquins que o Rafa me obrigou a passar o mico de morrer de medo da montanha argentina, sim por que a russa não era mesmo...rsss, em quanto ele ia todo prosa do meu lado, feliz da vida em seus quatro aninhos de vida.
O Rafa tem problema de falar até hoje, ele não fala errado tudo, não troca o r por s, ou coisa assim, ele tem um jeito especial e errado de falar que não sabemos como começou e nem como terminar, ele faz fono há anos.
Então lá nas alturas da montanha russa ele disse algo e eu não entendi, por conta de não escutar direito.
E ele me disse todo triste quando pedi que ele repetisse que era para deixa para lá, eu disse que não podia fazer isso, que eu queria que ele repetisse, ele insitiu em deixar para lá, e me disse, a frase mais triste que ouvi dele:
"Deixa titi, eu não sei falar"
Aquilo me cortou o coração, já imaginei as crianças da escola em suas sinceridade maldosa.
Eu expliquei para ele que não era por que ele não sabia falar direito, era por que eu não escutava.
Mostrei meu aparelho e expliquei para ele que eu é que não escutava direito e não por que ele tinha falado errado.
E assim uma criança de quatro anos e uma adulta de trinta e um, naquele dia se encararam frente-a-frente, diante de suas dificuldades, de suas limitações, e perceberam que o silêncio do coração, do beijo que demos, das mãos dadas na montanha russa, do amor são mais fortes de tudo isso.

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