domingo, 20 de fevereiro de 2011

Boca a Boca - Para a Cláu.

Eu sempre passei as férias em Cornélio Procópio, cidade onde minha mãe e meu irmão nasceram e onde até hoje tenho avó, tios, tias, primas, primos e muitos amigos de infância.

Lá eu andei de bicicleta, à pé, de caminhão, moto, charrete, cavalo, e na linha do trem.

Fui no parque de diversão com o moço mais cobiçado e que era paquerado pela minha prima, que gentilmente me doou seu paquera, depois do cinema,, onde eu andei na roda gigante com meu querido, com o vento batendo no meu rosto, ouvindo várias vezes que eu era linda.

Foi lá também que meu outro paquera passou o telefone para o amigo dele e pegou sua moto e veio até onde eu estava somente me dar um beijinho.

Lá eu encontrei um amigo de Sampa, e descobri que ele era quase meu primo, que nossas famílias eram amigas e que minha Tia era madrinha dele.

Lá a Cláu se perdeu de mim e das minhas primas no Opinião (bar), pediu carona para um motociclista qualquer e foi na Santa Casa (Hospital) me procurar achando que eu tinha ido tomar glicose na veia por estar bêbada, quando na verdade quem estava era ela.

Foi lá também que nos embrenhamos no mato atrás da cadeiro do indio (uma pedra presa no despenhadeiro) e emporcalhamos nossos nikes num brejo e quase ficamos presa na terra "vermeia" movediça..rsss

Foi lá que vi o show do João Mineiro e Marciano umas nove vezes e do Roupa Nova umas dez....
Foi lá que a Cláu atropelou o moço do carrinho de batida umas cinco vezes....na Exposição....onde comemos purruca de primeira, feita no tacho...hummmm

Foi lá que eu andei de moto com meus amigos, que eu ganhei flores de um moço que desceu do seu carro, deixou ele no meio da rua, passou outro carro cheio de amigo deles, viu o carro parado, um dos amigos desceu pegou o carro dele e o deixou à pé com a gente.

Lá onde tudo era permitido, fácil e nem um pouco perigoso.

O único perigo que passamos foi um dia que ouvimos sobre dois moços que roubavam carretas de boi na rádio do meu tio e a noite conhecemos dois moços que nos disseram os nomes, nos deram carona, se tornaram nossos amigos até que ao se despedirem um chama o outro pelo apelido e descobrimos que eram eles os famosos ladrões de carretas de boi...rss

Mas mesmo isso, era de uma inocência profunda, pois os dois eram gente bonissima, provavelmente ladrões mesmo, (até que se prove o contrário), mas se tornaram nossos amigos.


Cláu era minha cumplice, amiga, irmã e viajou comigo para CP muitas vezes, muitas férias, lembro que meu pai nos deixava na rodoviária com oito a dez malas..rsss...e iamos felizes da vida prontas para viver as mais emocionantes aventuras.

Um mês depois a gente voltava, cheia de histórias, e prontas para voltar na próximas férias o mais rápido possível.

Tinha o Depois da seis que era o bar do momento, onde tomamos pela primeira vez Menta, onde davamos voltas de moto com nossos paqueras, cantavamos em rodas de pop improvisadas com meu primo Fabiano, ajudavamos na decoração, a servir, a fechar o bar...rss

Onde quando iamos embora de ônibus, nossos amigos no jardim da frente do bar, acenavam e se despediam e saiam correndo ao lado do ônibus, desejando que a gente voltasse logo, nas próximas férias.

Foi no Depois que o Val Val (garçom) se apaixonou pela Cláu e o Ed pela Paula.

E foi lá também que o Val fez a versão da música Boca a Boca do Odair José para a Cláu e cantava no Opinião (outro bar de CP) todos os sábados para a mulher amada:

A versão era:

Foi assim que aconteceu nossa história de amor:
Era dominog de noite e calor
E eu fui por Depois para trabalhar
Bem ali sentada no banco
Tomando uma Skol
Toda apertada como um caracol
Eu vi a Claudinha que estava a dançar
Fiquei louco que coisa gostosa e tão feminina
Perdi a cabeça e pulei na menina
Então me lembrei: Não sabia Beijar!
Quase morro, levei uma porrada, mas valeu a pena.
Pedi em namoro aquela pequena
Que depois de tudo quis comigo casar.

Versão feita pela Ká e pela Tati...rsss

Rsss...e a original, tão imperdivel quanto a versão, não deixe de comparar no video anexado..rsss.

Foi lá que dei meu primeiro beijo de verdade, que andei de mãos dadas com gente que me colocava apra dentro da calçada para me proteger, que fui em festas maravilhosas, que brinquei de queimada, de jogo da verdade, que tomei sorvetes gigantes, que vi minha prima Ká dar um tapa na cara do menino que tentou lhe beijar no cinema, que a Cláu ganhou essa versão maravilhosa de música, que iniciamos as decorações da festa Até que a Lua vire Sol de ano novo, que fiz escova no cabelo pela primeira vez, que tomei e vi a Cláu tomar seu primeiro porre, que vivenciei o Porão, O Opinião, o Depois das seis, que tive, como disse paqueras que não sei mais contar, que fiz amigos para uma vida toda, que fui muito feliz e que tenho essas recordações para acalentar meu coração quando o mundo se torna muito cinza.

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