sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O menino que chamava Gato, Canons e algo mais.

Nesta semana reencontrei uma amiga que não via há quase vinte anos, ou isso mesmo.
Eu, Cláu e Kelly, eramos inseparavéis.
Cláu é minha amiga de infância, desde que nasci, moravamos na mesma rua, estudamos juntas durante anos, como já contei aqui.
Tenho tantas histórias engraçadas com a Cláu que nem sei por onde começar.
Mas para iniciar as recordações, quero contar essa: A do Emerson Gato...rss
Ele era o garoto mais bonito da escola, e todas as meninas eram lógicamente apaixonadas por ele, lembro da Cláu colocar uma saia longa (ela era cheio de estilo desde aquela época) para irmos na padaria, comprar pães para o lanche da tarde (lógico que para ir na padoca a gente tinha que passar em frente a casa do Emerson Gato), a maioria das vezes ele nem dava as caras..rss, mas algumas vezes ele estava na rua jogando bola, botão, ou sei lá o que os meninos faziam naquela época, falavamos oi, às vezes ele fazia um gracejo e o dia estava ganho.
No quintal da casa da Cláu, os pais dela alugavam casas e numa delas morava uma menina que estudava no colégio com a gente e que ingenuamente nos contou que gostava do Emerson Gato.
Eu e a Cláu dividiamos os paqueras e desde muito cedo entramos em um acordo que de quem o menino gostasse a gente podia ficar, paquerar, dar beijinhos e que a outra não ficaria brava, e que nunca brigariamos por isso, acho que foi a única amiga que nunca briguei por conta disso realmente, nosso pacto dura até hoje.
Bom eu e a Cláu viramos confidentes da coitada, e instruimos ela a colocar várias roupas e óculos de gatinha para conquistá-lo, as roupas eram horrivéis e a coitada levava a roupa dentro da mochila, já que a mãe dela não deixava ela não ir de uniforme para a escola, trocava no banheiro, estudava, tentava conquistar o Emerson Gato e no final da aula trocava de novo e ia para casa.
Eu e a Cláu morriamos de rir da coitada e bom o Emerson Gato, acho que deu um beijinho em cada e saiu miando pela vida.
Nem eu, Cláu, ou nosso amiga enganada conquistamos o gato.
Eu tive minha mágoa com a Fabiana também, acho que foi a vingança dela...rsss, pela maldade que fizemos.
Um ela começou com isso, e se tivesse um ladrão o que nossos pais fariam, e ela respondeu:
"O meu pai puxava a faca (ele era açogueiro)!
O pai da Cláu puxava a arma (ele era policial).
E o pai da Déa puxava o carro (meu pai é mecânico até hoje)."
Fiquei indignada no dia, mas hoje lembro com saudade e um sorriso no rosto, da perspicácia da garota e balanço a cabeça numa confirmação de que ela sabia o que a gente tinha feito com ela, e percebo que comigo ela podia zombar, mas que da Cláu não, afinal os pais da Cláu poderiam aumentar o aluguel..rsss
Ahhh Fabi...
A Kelly começou a estudar no nosso colégio, comigo na quinta série, lembro que sentei atrás dela na carteira e que no primeiro dia a professora fez a gente agradecer o que tinhamos.
A Ke virou para trás e rindo brincou comigo:
Eu acho que vou agradecer o Canon que eu ganhei!
Pronto, bastou essas palavrinhas mágicas, para a Ke virar para mim um modelo, uma menina de outra época, maneira, descolada, fora de seu tempo.
E bastou também eu descobrir, depois de pesquisas mil, o que se tratava afinal um Canon, para atormentar a vida do meu pai.
Lembro que eu ia fazer encontro de jovens, que a Cláu um ano mais velha tinha feito, e fomos eu e meu pai na loja comprar o bendito, pois eu tinha que ir de canon no encontro senão minha vida não teria sentido, bom mas ao chegar lá o canon tinha subido de preço e o dinheiro levado pelo meu pai não deu. (naquela época não tinha talão de cheques, telefone em casa..rsss)
Minha nossa senhorinha, como eu chorei, esperneei, briguei.
Eu, infelizmente era assim, aborescente, e se uma coisa que eu queria não desse certo, tudo mais estava estragado para mim, que pena não, que a gente seja assim, bom eu fiz o encontro, me emocionei demais com as mensagens escritas para mim (tenho até hoje), e foi a primeira vez na vida que escutei o Pai Nosso cantado, nossa como amei, mas não ter o Canon foi destruidor.
Bom meu pai voltou lá na segunda, comprou o Canon, mas ele já não tinha mais o impacto que teria no sábado..rss, mas mesmo assim, lembro que dormi com ele.
Nos anos que seguiram, eu, Cláu e Kelly nos tornamos inseparavéis, iamos todas as tardes na casa uma da outra, na padaria, a Ke morava perto do Marco Antônio, meu novo paquera, e lá passavamos tardes ligando para ele (e desligando..rss).
A Cláu vestia duas calças para aumentar a bunda de tão magra que era, usava fita no cabelo (estilo!) e roubava as nossas roupas se a gente não quisesse empretar, era assim o esquema dela.
Ela pedia, a Ke negava.
Ela entrava no quarto sozinha, de saia, voltava como se nada tivesse acontecido, brincavamos, conversavamos, e iamos embora.
Até que lá em baixo (a Ke morava num sobradinho) a Cláu erguia a saia e lá estava o shorts que a Kelly tinha negado.
Ainda gritava sorrindo:
"Ohhhh Kellyyyyyy"
A devolução...só Deus sabe!
Nós iamos na Filds, Domingueira Dançante do Palmeiras, eram semanas enganando nossos pais, diziamos que imos nesse e no outro final de semana não, para deixarem, aí no próximo a gente enrolava eles e dizia que iamos nesse e nos dois seguintes não, e quando eles viam já não sabiam mais.
Lá dançavamos New Order, com lencinhos na mão, doavamos paqueras, dançavamos muito, nos divertiamos e voltavamos para casa felizes da vida.
Passavamos a semana toda contando, falando o que tinha acontecido e aí vinha outro final de semana, outro misto de emoções.
Faziamos revezamento de camiseta (de marca...claro) e foi por conta disso que a Cláu começou a trabalhar na locadora para ganhar dinheiro e comprar roupas para a gente usar na Filds...rsss
E me vem tantas outras lembranças, tantas outras histórias, tanta coisas gostosas demais para se esquecer.

2 comentários:

  1. Me lembro de todas essas histórias e é com um sorriso enorme no rosto que escrevo este comentário... o Marco Antonio é o TUTA.. assim fica mais fácil de identificar... lembra da Kelly levando um "pirilito" pro Marcio?!?!?.. lembra do Marquinhos na marcenaria??? e do nosso amigão "minhoca"???? tantas recordações... tantas emoções... como eramos felizes e não sabiamos!!!

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  2. Eu esqueci o apelido do Marco Antônio...imagina isso...ainda tenho que beijar esse moço antes de morrer..rss
    A do pirulito não ficou tão gravada na minha memória....mas lembro...jeito básico de chamá-lo de crianção...rsss
    A Ke ainda vê sempre o Minhoca...rss
    Acho que a gente sabia sim...
    Pastel da feira, muita andança, paqueras e beijos..rs

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