domingo, 20 de fevereiro de 2011

Quando o carteiro chegou e seu nome gritou.

Gente,

Ando nostalgica, lembrando das coisas do passado, coisas extremamente especiais, que moram no nosso coração e que vemos muito em filmes, ou ouvimos nossos avôs contarem, histórias simples, que acontecem com todos nós e que são alimentos para nossa alma.

Eu tenho uma vida bem peculiar, cheia de trapalhadas, viagens, amigos, paqueras, muitas emoções, eu realmente vivo a vida em sua plenitude.

E revendo meu baú, as muitas cartas que recebi, de uma época em que não havia celular, internet, e que a gente escrevia cartas gigantescas, contanto histórias divertidissimas.

Tive a sorte de ter amigos em outras cidades, e me corresponder com eles.

As cartas entre mim e minhas primas eram assim, cheinhas de firulas:


No envelope a gente colocava recados, toques, zueiras, por que não tinha papel suficiente para a gente colocar tanto amor.

Elas eram minhas espiãs de lá, me contava sobre os paqueras que eu tinha nas férias, era Sandro, Niquinho, Pé, Marcos, Beto, Passarinho...eram muitos, hoje quando leio me perco, nem sei quem são mais.

E eu era a espiã delas aqui.

Tinha a Ká, a Dê, a Rê, a Flávia Renata, a Elaine, e todas as primas que também escreviam, a Tati minha amiga, enfim, eram cartas e mais cartas, fora as dos paqueras..rss.

As cartas eram uma infinidade de criatividade, até versão musical, partitura, telefones descobertos, fofocas, início de namoro, selos, tudo que vc possa imaginar vinham nessas cartas, envelopes gigantes com uma carinha pequena, enfim, era muita criatividade.

E foi numa dessas brincadeiras no envelopes, que me tornei amiga de um carteiro.

Explico, como minhas primas faziam, eu coloquei um recado para o carteiro (jamais imaginando que ele pudesse ler), dizendo para ele tomar cuidado que minha prima poderia agarrá-lo...rss

Não é que o carteiro leu, pegou meu endereço, me respondeu, e nos tornamos amigos durantes anos, até que como haviamos combinado, caso alguém quisesse deixar de se corresponder por qualquer motivo, era só escrever uma carta "terminando".

Foi o que ele fez quando se casou, ele disse que achava que sou futura esposa não entenderia esse tipo de amizade e que ela poderia ficar enciumada, e assim meu amigo, que nunca conheci, além das cartas, "terminou" comigo.

Muitas saudades desses tempos em que a gente falava um pro outro como estava se sentindo, e esperava ancioso a resposta para saber como o outro se sentia.

Diferente de hoje em que MSN, Orkuts, e Facebooks mostram sempre pessoas descoladas, frases de impacto, mas nunca sabemos o que o outro realmente sente e principalmente quem o outro é.

Eu nunca quis e nunca enviei uma foto minha para o amigo carteiro, numa obcessão maluca de que as aparências nunca interfericem no que realmente sentiamos um pelo outro.

Como muitas vezes nos meus relacionamentos eu ficava sempre com o pé atrás, medrosa, de ser quem eu sou e de dar amor verdadeiro, mas foi especial e divertido ter um amigo assim.

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