sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quem não tem bolacha como sopa de arroz.

O ano era mil novecentos...
No carro lotado com os homens da família, meu pai, meus dois tios, e dois amigos deles que eram praticamente da família (tios de pescaria).
Em cima do motor da variant (chic!) queimando a bunda, eu, Karla e Flávia, minhas primas e filhas dos meus dois tios.
Não sei se a viagem foi realmente longa, mas para nós crianças de aproximadamente 7 e 4 anos, demorou uma eternidade, lógico com muitas e muitas vezes a mesma frase: Paiiii tá chegando?
Uma paradinha para fazer xixi e comprar coisas básicas: isca para pescaria e arroz.
O destino: uma chácara maneirissima do patrão do Sr. Osvaldo (mesmo nome do pai e tão atrapalhado como, que Deus o tenha), onde tem piscina para as crianças e muitos rios perto para os homens pescarem.
Uma combinação perfeita concordam?
Eu e minhas primas não aguentavamos mais, o calor, o motor, a demora.
Até que avistamos a chácara, parecia um sonho, era linda, enorme, e com PISCINAAAAA.
Para nós estava tudo melhor do que esperavamos, mas o caseiro ao abrir o portão para entrarmos e os adultos estavam com uma cara estranha, mas nós, nós só queriamos saber de colocar nossos biquines e pular na água gelada e foi o que fizemos, nem nos importamos que tinha mais gente lá do que imaginamos (O DONO).
Bom nós pulamos, brincamos, corremos e não entendemos por que nossos pais e tios não foram pescar, não nadaram com a gente e estavam com cara de muito preocupados.
A noite, na casa de hospedes, percebemos que tudo ia mal, os cachorros foram soltos, enormes o que nos impedia de sair de dentro da casa, os donos sairam para jantar, dançar e sabe mais o que, eu e minhas primas trancadas em um quarto, meus pais e tios no outro e deitados na soleira entre os dois dobermans que latiam e rosnavam a qualquer tentativa de abrirmos a porta...
Só neste momento, comendo sopa de arroz (um dos itens importantes comprados junto com a isca de peixe) é que eu e minhas primas percebemos que aquela brincadeira na piscina durante a tarde tinha custado muito caro.
Bom não viamos a hora do dia clarear, da gente pode sentar de novo no motor da variant e voltar para nossas mamães (que iriam comer o fígado dos nosso pais...rsss).
E foi isso que aconteceu, logo cedo, voltamos em nossa jornada, bom o ambiente no carro não era o dos mais agradavéis, meu pai e tios discutiam e estavam p da vida com o Sr. Osvaldo, é que ele convidou todos para irem, sem avisar os donos, sem pedir e quando chegamos lá os donos estavam com suas amantes, e pior eram chefes do Sr. Osvaldo, uma trapalhada digna de novela das seis.
Lembro de no caminho eu e minhas primas ao invês de perguntarmos se estava chegando a gente não parava de perguntar:




"Pai quando chegar vc compra bolacha?"



Bom Sr. Osvaldo foi despedido e nós temos essa história para contar e rir!
Demorou alguns anos para eu compreender que o Tio Osvaldo nunca mais foi nas pescarias com a gente!
Depois de alguns anos, ele faleceu! E espero que ele esteja numa chácara maneirissima como a que nos levou, mas que dobermans malvados não guardem a soleira de seu quarto!

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