terça-feira, 11 de outubro de 2011

Meus dias de feliz criança

Eu tenho saudade:
Dos dias de bicicleta (sem cestinha mas com saco plástico..rss) onde carregavamos nossa garrafinha de água e andavamos pelas ruas em cômboio, é engraçado não me lembro de ter carros, buzinas, e atropelamentos, só lembro do chorão que ficava em nosso caminho e que sentavamos de baixo dele para descansar.
Do geladinho de abacaxi e de coco da mãe da Celina.
Das guerras de balde de água.
Das disputas de carrinho de rolemã.
Da Clau, Dani e eu costurando roupas para as barbies e das nossas brincadeiras, da nossa criatividade ao criar roupas, móveis, no nosso mundo encantado e reciclado (Os namorados eram escova de cabelo..rsss).
Do sorveteiro e sua buzinha e do seu delícioso sorvete de coco queimado, comprado pelo Vô João, Vôzinho da Cláu, minha amiga desde que nasci.
Dos assaltos ao baleiro de rodar do Sr.Augusto e da caderneta de doces onde a gente anotava o fiado, doce de leite, paçoca...
Do catecismo, de ser acordada todo dia por algum coleguinha já que era preguiçosa desde aquela época.
Dos mergulhos na laje da Cláu, com alguns centimetros de água.
Do correria que era brincar que a loira do banheiro (eu) estava no Hall da casa da tia que nos ensinava a fazer tricô.
Do parquinho atrás da MTV, que existe até hoje (embora esteja em reforma) que era mágico e lúdico.
Das casas imaginárias que tive em cima de várias árvores na Cidade Universitaria, além do nosso transporte para descer morros feito de papelão.
Do feijãozinho que a Dna Madalena comprava na feira para mim.
E da balinha que parecia remédio.
Das idas e vindas na casa da Mãe Teresa, empuerados no fusca onde cabia quem quisesse entrar
Das idas no jogo do Palmeiras, à pé, no cangote do meu pai, com meu irmão ao lado vestido de verde.
Das buscas pelos ovos de páscoa, presente de natal.
Dos biscoitos da Karla e dos doces que a mãe dela trazia da confeitaria em que trabalhava.
Do Sr. Lúcio e da Tia Luzia que quando passavamos mal na escola mandava a gente andar na quadra (sempre era gases..rss).
Das brincadeiras de casinha com a Ká, na escada da Dna Maria, dos milhões de roupinhas de boneca que ela me dava e depois pegava de volta.
Dos roubos aos biscoitos da Dna Maria que era cega.
Do meu primeiro dia no prezinho, do meu primeiro namoradinho que me deu o primeiro pedaço de bolo, da minha sandália vermelha comprado no Dick na hora da festa, do Tio Fernando da perua, do dia que caí na chuva pisando na capa de chuva onde cabiam 2 de mim.
Do meu primeiro palavrão.
Do intervalo dos "adultos" onde eu ia comprar refrigerante para a professora e voltada dando bicadinhas nele, morrendo de medo que ela descobrisse.
Do meu avental, e do cheiro delicioso da minha lancheira que perdi o copo da garrafa de suco no dia que meu pai esqueceu a hora de me buscar e fiquei chorando abandonada, pensando que nunca mais voltaria para casa, e quando eu o vi, e soube que estava salva, ele me pegou no colo e atravessamos a rua mais comprimda da minha vida entres os carros, eu chorando de soluçar.
Das milhões de vezes que experimentei o vestido de noiva das minhas tias, arrastando suas saias gigantes e morrendo de medo da minha mãe me pegar.
Da dança de final de ano no prezinho vestida de papai noel de crepom e da dança junina em que o menino não queria dançar comigo e eu ia para um lado ele para outro, só para contrariar.
Das tardes de pipoca, leite com coco, pão com chocolate feito de nescau, água e manteiga, leite com banana e da gemada da Vó Jesuina (Vó da Flavinha).
Das vezes que esqueci de buscar a Flavinha na escola e que devolvi o dinheiro para minha Tia (não aceitando devolução).
Do dia que roubei a manteiga de cacau da Lidia e minha mãe me pôs de castigo de joelho pedindo perdão para Deus e me fez ir pessoalmente devolver.
Das milhões de vezes que meu irmão quis me matar, de mãos em punho, cara de terrorista, mas tudo ficava na ameaça.
Das surras que ele levava no meu lugar.
Do atari, e eu, Ká e Ri, jogando pac man.
Da primeira vez que fomos no MC, uma acontecimento.
Das viagens para Cornélio em cima do motor da Variant, todos nós, amontoadas e felizes, contando placas e descobrindo nuvéns que eram anjos, cães, o que a nossa imaginação descobrisse.
De quando a gente chegava, o vento e seu assobio, e depois na despedida, meu avô Zico, minha avó Anita, e minhas tias Janete e Janira acenando até que o carro fizesse a curva, todos nós chorando de saudades.
Da árvore de araçá na porta da casa da minha avó, que sempre tinha um para eu comer.
Dos doces comprados escondidos pelo meu avó antes do almoço.
Dos chá, piqueniques e diversão no porão da casa de madeira dos meus avós.
Das noites e dias na casa de madeira, com o vento e o frio, e acolchoados feitos pela minha avó, que quando eramos cobertos não levantavamos mais, devido ao peso.
Das vezes que alimentamos porquinhos da Vó Ana (Vò da Dessa e da Rê).
Dos banhos de caixa d´agua na casa da Tia Cleuza.
Das bricadeiras de queimada na casa da Dê no Vitória Régia, dos sorvetes como vaca amarela, vaca preta, vaca cor de rosa..que tomavamos.
Dos dias e mais dias no Country Club, comendo todas as frituras existentes na fase da terra, e mergulhando na piscina com a barriga cheia, sem medo de ser feliz.
Das brincadeiras na laje da Vò Cida aqui em SP, e na casa da Tia Teresa onde eramos princesas, rainhas, moças e lindas, arrastando lençóis, usando sapatos de salto da Tatinha e morando na perua do Tio Divino.
Do dia que estavamos subindo o morro de onde eu hoje moro e um carro passou gritou:
Suas galinhas!
E a Fla que era pequeninha começou a rir e nos perguntamos se ela sabia o que eles tinham gritado e ela disse, eu sei, seu sei, toda indignada por acharmos que ela não sabia.
Eles gritaram:
Suas gatinhas.
E rimos mais ainda...
Das minhas primas do Paraná no Landal do meu primo Cesar que nos levou no ZOO e depois para tomar sorvete no Eldorado, todos nós pedimos banana split, sundae e a Ana, minha prima, pediu sorvete de limão.
Quando chegou sua taça de sorvete de limão, ela começou a chorar.
Chorar de soluçar.
Ela tinha medo da taça, ela só queria o sorvete de limão de palitinho.
Do natal na casa da Mãe Teresa, com todos os primos e meu Tio que não era alcoolatra ainda, de papai noel numa carroça entregando os brinquedos.
Das festas juninas aqui na vila em que todos participavam, era pipoca, doces, comunitário e feliz.
Do bar da minha tia onde a gente podia comer o que quisesse, cebola temperada e caculinha de limão.
Da foto que todos nós tiramos no burrinho pintado de zebra.
Das guerras de travesseiro.
Das compras no Makro para o bar e para nós.
Da obrigação de tomar leite quando dormiamos na casa da Mãe Teresa.
Da carne de porco da minha avó Anita.
Da perna da minha avó Cida, do seu cabelo pretinho, liso e sempre preso.
Da primeira vez que a Tia Sandra fez touca no meu cabelo e ele ficou lisinho.
Do Cristo, sentados na mureta, como verde mais verde que já vi na vida e nas mãos picolé, ou pipoca com o molho especial feito pelo tio da barraquinha.
Das roupas feitas pela minha avó Cida para os eventos que eramos convidadas, saias florida, bolsas tipo saco, camisa branca.
Dos sorvetes na Pinguim
Aí tanta coisa boa, tanto amor, tanta alegria.
E de tristeza, só o dia que cheguei da escola e ao invês de subir para casa, resolvi visitar minha amiga da perua que me disse que quando o Tio Fernando me deixava ele andava na mesma rua um pouquinho e deixava ela, e eu andei a mais longa jornada da minha vida.
Lá esqueci das horas, brincando, quando Sr. Abel, dono da casa que eu morava, bateu de porta em porta perguntando por mim, eu me escondi, e mandei a minha amiguinha dizer que não estava, por que, eu queria continuar brincando, só que algo na cara frustrada do Sr. Abel no último momento, quando ele já estava indo embora fez com que eu saisse do meu esconderijo, lembro do seu rosto de alivio ao me ver, depois lembro que ele nem esperou a mãe da minha amiguinha abrir o portão e me puxou por cima do portão mesmo, me pegou no colo, e no caminho fui ficando assutada com os carros da polícia (o Tio Jaime, pai da Cláu), e váriaas pessoas conhecidas chorando, falando comigo, só percebi o tamanho da encrenca que me meti quando vi minha mãe aos prantos correndo para me pegar quase desmaiando.
Tristeza foi o dia, que eu fiz a minha priminha apagar e reescrever sua lição da escola, várias vezes, e quanto mais ela chorava, mais eu me enjuriava e apagava o que estava errado, bom o fim disso foi ela no hospital com falta de ar, até hoje quando lembro disso meus olhos enchem de lágrimas de como eu era ou sou exigente, casca grossa.
Tristeza no dia que meu Tio Jaime faleceu e que eu perguntei para meu pai se ele não podia soltar o Tiquinho nosso passarinho (foi o único passarinho que tivesmo e quando ele morreu anos depois eu fiquei muito triste de ter um pássaro preso numa gaiola, hoje Deus nos livre dessa tristeza) para ir ficar com meu Tio, já que ele estava no céu.
Tristeza do dia que meu pai vendeu nosso corcel azul que quase fiz o novo dono desistir da compra de tanto que eu chorava (e meu pai quase louco por perder o negócio).
Tristeza no dia que meu Avò Zico morreu e que chegamos cedinho e vi de longe a casa de madeira da minha avó, e estava tudo fechado e eu disse que era mentira, que ele estava vivo, e a minha assombração com a quantidade de gente caminhando até o cemitério, num cortejo que não tinha fim.
Tristeza por que o meu pai não veio para cortar o meu bolo de aniversário lá em Cornélio, de tarde.
Tristeza do dia que esses homens que vendem bicho de pelúcia quase me fez sentar em seu colo me oferecendo bichos de pelúcia de graça (acho que é por isso que até hoje eu não sou fã de bichos de pelúcia). e a Dna Madalena passou bem na hora e me mandou ir para casa naquele instante. ( o instante certeiro).
Tristeza por não ter tido minha mãe que sempre trabalhou em casa para me vestir para ir para escola, para me dar comida, para fazer bolo, pipoca e lanches da tarde, mas tanta tristeza que um dia meu pai me pegou no chão ajoelhada falando com Deus:
_Querido Deus, por favor, traga minha mamãe pra casa, pra ficar comigo, eu não quero mais que ela trabalhe!
Tristeza do dia que a inocência acabou!
Mas felicidade tamanha por ter todas essas lembranças e tantas outras que não caberiam aqui, felicidade até mesmo pelas tristezas que fazem a gente ser forte, doce, inocente, CRIANÇA.

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