quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O meu carma

O meu carma é levar as pessoas para onde elas querem ir, de carro.
Lembro um dia que eu trabalhava e já tinha carro, mas ia de ônibus trabalhar e estudar, São Paulo alagou de certa forma que quando cheguei na rua de baixo da minha (moro no alto, depois de subir uma subidona) não tinha como passarmos, ficamos no ponto eu e uma menina que nunca tinha visto na vida, quando de repente um homem muito estranho chegou no ponto, eu fiquei assustada e quando fico assim (intuição) eu saio andando..rss, e foi o que fiz, isso sem antes oferecer carona para a moça para que ela não ficasse à sós com o homem.
Ela aceitou, subimos até em casa, tirei o carro da garagem e levei minha amiga até sua casa.
Depois que fiquei doente eu sou oficialmente a motorista da minha mãe, dos meus tios e de quem mais precisar, parece até que Deus foi conduzindo tudo para que eu virasse "Conduzindo Meus familiares"..rss
Tem uma velhinha que mora no final da minha rua e já contei que para chegar a minha rua tem que subir uma subidona ingreme mesmo..., praticamente 90 graus.
Ela fica no começo da subida, com sua sacolinha e faz sinal para os carros daqueles a quem ela chama de "amiguinhos" e eu sou uma delas, já perdi a conta de quantas vezes eu subi com ela, e de quantas vezes ela ficou na porta da casa dela esperando alguém passar para levá-la para o Postinho, Sacolão, etc...rss...e lá vou eu..
Também perdi as vezes que trouxe duas vizinhas e suas compras, sempre, em horários diferentes eu as encontro no Carrefour perto de casa, às quartas-feiras.
Já teve dia de eu falar, mãe vamos correndo, esse horário as vizinhas já devem ter ido e voltado, tudo por conta da pressa e quando eu estou passando as compras eu viro para trás e lá estão elas, justamente nesse dia elas resolveram ir em outro horário, rss.
Eu claro, rio para Deus, para minha mãe, respiro fundo, sento e espero minhas queridas vizinhas passarem suas compras e subimos todos nós, de carro, felizes, eu faço questão de deixá-las em frente de seu portão, ajudo a descer as compras e volto para casa gargalhando.
Teve dias também de eu ir no postinho perto de casa tomar injeção quando ainda não tinha feito o transplante, aquela dolorosa que eu tinha que tomar duas vezes na semana, uma chuva desaba, uma senhorinha e sua filha com um bebê de colo estão na porta desconsoladas com a chuva, meu coração padece, pergunto onde moram, dizem que é perto dali, ofereço carona e assim, lá vou eu de novo, o agradecimento é sempre caloroso, agradecido, desconcertante, causa um certo desconforto, pois é tão grande perto de algo tão pequeno.
Mas o mais inusitado recentemente foi eu parada numa sombrinha, esperando minha mãe passar no médico e me ligar para ir buscá-la, próximo ao oficina do meu pai, eu lá lendo meu livro sossegada, quando aparece um garotinho na minha janela e enfia a cara dentro do meu carro, cara a cara comigo.
- Tia, você pode me levar até aquela esquina (de uma subidona na pompéia), é que estou com meu pé machucado e não posso andar muito e preciso ir na casa do meu amigo. (desconfio, esse tá querendo moleza..rss)
(olho pelo retrovisor e outro garotinho envergonhado está na espreita).
Eu falei que tudo bem e perguntei:
- É só você ou seu amigo também vai?
- Meu amigo também.
Fiz sinal os dois entraram no banco de trás e os levei até onde eles queriam ficar.
Voltei para minha sombrinha e estou lá.
Quando vejo eles descerem o morro, um apoiado no outro e aquele que falou comigo mancando.

Sorrio por dentro e continuo minha leitura.
Dali a pouco surge ele novamente:
- Tia vc pode me levar até a outra rua, é sério, é a última vez, vc sabe não estou conseguindo andar direito.
Agora já intima dos meus amiguinhos, mandei entrar e lá fomos nós de novo.
Um deles tocou no meu ombro, como se fossemos super amigos e levei um susto, ele também, envergonhado pediu desculpas.
Deixei-os em seu destino e ao sair ambos falaram:
- Obrigada Tia...Deus lhe pague.
Sorrio de novo e penso comigo Deus sempre me paga, a mim e a todos.
Já recebi muitas caronas, algumas inusitadas como essas que lhe contei, e sou muito grata por todo bem que me fazem, amigos e desconhecidos, por que, todos nós somos caminhos, pontes, caronas, ouvidos, sorrisos, aperto de mão, ajuda, na vida daqueles que nos cercam, somos com certeza anjos sem asas (AINDA!)...

Nenhum comentário:

Postar um comentário