terça-feira, 22 de maio de 2012

Festa no céu.

Mesmo com o pé nessas condições eu fui no Chá das mulheres da igreja evangélica da minha prima Fla.
Eu acho que fui em quase todos os locais onde rezaram por mim quando eu estava doente e eu devia essa visita a igreja da minha prima, então, além do convite delicioso uma parte minha devedora clamava a minha ida.
Meu pai nos levou e ele é muitoooo perdido, nos perdemos e quase desistindo paramos numa bifurcação.
Seguir ou não seguir...o caminho indefinido?
Quando de repente (você ainda acredita nisso?) surge ao nosso lado simplesmente o marido da minha prima seguindo para a igreja, ele nos reconheceu, parou do nosso lado e seguimos ele até lá.
Na hora meu olho encheu de lágrima.
Era realmente a hora da minha presença na igreja da minha prima, onde tantos rezaram por mim.
Meu pai até falou: Deus realmente quer que você vá.
E se você ainda dúvida dos recados de Deus, da vida, do cosmo..rss, fique esperto, por que, isso acontece todos os momentos em nossa vida.
Lá foi uma delícia, várias coisas gostosas, e muito depoimentos parecidos com esse que contei aí em cima, de Deus agindo em nossas vidas, pedindo que esperemos o momento certo para a cura, para a realização de um projeto, para a chegada e a partida das pessoas em nossas vidas.
E foi assim que chegando em casa, super tarde, pois nos perdemos de novo, que ficamos sabendo que minha avó paterna havia nos deixado às 19h00 daquele mesmo dia.
Ás 3 da manhã do outro dia, seguimos para Cornélio para nos despedirmos dela, por não poder dirigir e meu pai não estar bem da perna e de tudo, meu irmão foi conosco dirigindo.
Quis Deus que a versão original da família fizesse mais uma viagem juntos, para se despedir daquela que plantou em mim a fé em Deus e a adoração pelas plantas.
Minha avó praticamente morreu em seu quarto, em alguns segundos após meu tio atende-la em seus pedidos de medicações, etc, ele saiu do quarto, viu os penalts do jogo e quando voltou ela já havia partido.
No velório muita coisa observada por mim...família é família, sangue é sangue, por mais distante que sejamos, por mais que não concordemos com algumas atitudes nesse momento de dor a gente percebe o quanto a gente faz parte daquela família, o quanto o amor é grande e a cobrança é maior quando a gente convive e sabe todos os defeitos e acertos dos nosso familiares.
Meus amigos que são familiares do coração estão sempre presentes, dando um abraço, um consolo, e percebo o quanto é maravilhoso morar num lugar como Cornélio, onde em alguns segundos você pode fazer o bem, alimentar a alma de alguém com um carinho, coisa difícil em São Paulo.
Muitos tios dos nosso primos e amigos dos meus pais estavam presentes ali, muitos reencontros históricos com Tios Avós que não via há muitos anos.
Agora só sobrou o Tio Antônio (lindo) e a Tia Maria (linda), os dois últimos tios do meu pai por parte de mãe.
Minha outra prima, essa de sangue, mas por parte da minha mãe, trouxe lanche e deu todo apoio para a família que ela considera e ama. Almas cristã são essas que fazem sem olhar a quem, que se desdobram e ajudam seu próximo de forma desinteressada, orgulho de ver a minha prima, que é uma irmã para mim, tratar minha família tão amorosamente.
Eu claro dei vários foras por não reconhecer os familiares...mas faz parte do meu show.
Olhei aquela grande família (como meu primo disse em seu discurso de adeus a minha avó) e percebi o quanto a gente deixa de se ver em festas, momentos de alegria para só se ver nesses momentos tristes, mas percebi que não tem sentido a gente comemorar o nascimento, até tem, mas não chama tanta a nossa atenção, por que, é preciso que essa pessoa que nasceu, viva, e cresça dentro de cada um de nós, é preciso plantar amor, presenças, carinho, e assim construir uma história que valha a pena ser contada, sentida e que quando chega a nossa hora de voltar para a casa (desencarnar) a gente sofra demais pela ausência daquela pessoa que agora faz parte da nossa história.
A verdade é que nunca gostei muito de velórios, enterros por acreditar que é necessário a gente estar presente e fazer as coisas em vida, dar flores, carinho em vida, e é verdade, porém, a gente só faz questão de se despedir daqueles com quem a gente dividiu, compartilhou, ensinou e aprendeu.
Com a minha Avó Cida eu aprendi a amar as flores, a ouvir, a não dar conselhos ou palpites quando eu não posso dar, e a amar e aceitar meus familiares como eles são.
Com minha Avó eu aprendi a comer bem, a rezar, a ser devota, a ter fé na vida, em Deus, e que por mais que ela tenha rezado para eu e minha prima Cris casarmos, talvez não seja essa a vontade de Deus..rs.
Hoje eu encaro o velório como uma passagem necessária para nós que ficamos, é necessário toda aquela encenação, da matéria, para que a gente compreenda que aquela alma realmente se foi, é necessário todos juntos se unirem num só propósito de dor e despedida, de carinhos e abraços dolorosos com a ausência que a gente sente e que doí no peito.
É uma ritual necessário para aqueles que ficam.
Para aqueles que partem é necessário que as vibrações e orações sejam de saudade, amor e calma, para que ela possa seguir em paz.
E foi assim a despedida da minha avó, com orações, família unida, boas histórias sobre a vida dela, o que ela nos ensinou, o que ela deixou em seu legado em nossos corações...
Que minha querida avó seja recebida bem aí onde ela mereça estar, que Deus tenha misericórdia de sua alma e que ela tenha finalizado sua missão.
Tenho certeza que dentro do que ela foi ensinada e do que ela vivenciou ela fez o que pude para os seus.
Vá em paz Vó Cida...aqui nas minhas lembranças os muitos cafés que tomei com você e as muitas conversas sobre a vida, meus sonhos, meus desejos, meus pedidos para que rezasse por mim.
Até breve companheira.
De um outro lado ao ver minha outra avó chegar ao velório para se despedir de sua grande amiga, corcundinha, frágil, em seus dois 8 (88 anos) ficou um aperto no meu coração, de que em breve ela também parta e com ela siga outra parte do meu coração.
Mas é no horizonte, com o sol nascendo que meus olhos pararam de chorar e percebi que minha Avó Cida estava como sol renascendo em seu verdadeiro lar....
E sem ser egoísta eu festejei sua missão finalizada, seu voltar pra casa e a felicidade que muitas almas estão nesse momento ao reencontrá-la no que eu chamo de festa no céu.



4 comentários:

  1. Adorei!
    Sei de tudo isso, mas sinto que perdi muito com essa partida,lá se foi meu porto seguro pela terceira vez ....
    Bjus..

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    1. Oi Cris,
      Imagino querida o quanto é doloroso para você, principalmente para você, tão presente na vida da Vó, tão auxiliadora...
      Realmente para vocês a dor é maior...e infelizmente não há nada que possamos fazer...não há nada que eu diga, faça, ou deseje para você que vai acalantar seu coraçãozinho...mas fica a certeza em meu coração do quanto você amou a vó e seus pais e do quanto eles também te amaram...
      Um beijo grande minha querida...sempre te espero aqui.

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  2. Lindo texto, mais lindo ainda pque sei que foi escrito de coração... e com um nó na garganta me lembrei da doce vó Cida fazendo pipoca e chá bem quentinho.. nos esperando voltar da avenida e ficar lá escutando, rindo e aconselhando... bons tempos, tempos felizes, tempo... tempo... tempo!!! Com certeza a vó esta de volta a seu verdadeiro lar e junto de Nossa Senhora... Bjs, Força e Fé!!! Clau

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  3. Pois é sempre vou me lembrar desses dias.
    Da gente não conseguindo ver as onze horas abertas...rs
    Dela chamando o passarinho de Beija flor.
    E das muitas conversas que tivemos...
    Amém...assim seja...e com certeza ela está em um bom lugar.
    Obrigada flor.
    Beijos.

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