domingo, 6 de maio de 2012

Quem quer Puchero está disposto a Viradas na vida.

Hoje eu e mamys foi experimentar as delícias do Chefs na Rua da Virada Cultural.
Saímos cedo, pegamos o metrô e vi o quanto minha mãe é uma senhorinha, a mulher linda foi cansando e ganhando rugas, expressões, cabelos brancos, e hoje já é a senhorinha para quem todos dão o lugar.
Me pergunto quando foi que isso aconteceu...eu não reparei...ou o tempo passou rápido demais.
Quero ainda muito tempo para estar ao seu lado, conversar com a pessoa com quem eu mais posso ser eu mesma, falar grosseiramente e receber um mau criado palavrão na nova forma que ela arrumou de me puxar as orelhas.
Minha mãe sempre foi uma batalhadora, dessas que com meu irmão no colo ia limpar a casa dos outros para ajudar meu pai a realizar os sonhos da sua família.
A mulher que foi trabalhar no hospital e não recebeu nenhum salário, somente assistência médica para mim que sempre fui adoentada (eita!).
Não se fazem mais mulheres como minha mãe, infelizmente
E é por isso, por ela ter feito e ainda fazer, e praticamente continuar carregando meu irmão e eu em suas costas (figurativamente) que eu faço tudo, mas tudo mesmo para que minha mãe quando se for leve as melhores recordações de mim, da nossa vivência juntas.
Então quando li no cardápio da Virada que teria Puchero, me lembrei das histórias que minha mãe contava, de quando ela ainda criança (12 anos) foi trabalhar na casa de uns espanhóis ricos lá em Cornélio para levar comida para casa em troca de sua ajuda na cozinha da casa, na limpeza, no que fosse necessário.
Era a casa da Dna. Francisca, onde minha mãe aprendeu a cozinhar muitas gostosuras, onde ela aprendeu muitas coisas sobre como cuidar de uma casa.
Família essa que tratamos até hoje com muito carinho, as filhas da Dna. Francisca, são até hoje amigas de minha mãe, uma delas inclusive é madrinha do meu irmão.
Onde minha mãe comeu muitas coisas diferentes da que (não) tinha em sua casa, como Puchero, lembro dela me contar que morria de vontade de comer de novo, que era uma delícia, etc.
E foi assim que hoje eu levei minha mãe na Virada e quando chegamos já partimos diretamente para a barraca número 1, onde minha mãe se deliciou com seu Puchero.
Eu do fundo da minha alma rezei para que o Puchero a Love Store fosse pelo menos parecido com o Puchero da Dna Francisca.
Perguntei a minha mãe o que ela tinha achado e ela disse que era uma delícia, que a única diferença era que o da Dna Francisca era mais encorpado, mas como é uma refeição forte, tinha sido suficiente para saciar seu desejo de uma viagem básica à sua infância.
Senti que ela ficou com o coração feliz e apertado de saudade da Dna Francisca de quem ela nutre muita consideração e admiração, além de amor.
Comemos outras gostosuras, como dadinho de tapioca com queijo coalho outra coisa que minha mãe ama, estava maravilhoso um molhinho 1000.



cachorro quente à francesa

E ainda trouxemos costelinha para meu pai
Eu comi o Choripan (pão com linguiça) que estava delicioso...esse era um desejo meu, já que na Argentina tem Choripan em vários lugares, mas acabou que na minha viagem eu não comi...Hum valeu a pena...rs
Com dois molhos (pedi ao chef se podia experimentar o "Chimachurri" e o Vinagrete).


O evento estava ótimo, solzinho, famílias e gostosuras em todos os lados, pena que a gente não consegue experimentar tudo.rs... saímos de lá por volta das 12h30 e como era hora do almoço já estava lotando, acho que fomos no horário certo.
No metro perguntei:
E aí valeu mãe? Curtiu o Puchero?
E ela com os olhos cheios de lágrimas de emoções que só ela compreende, respondeu:
Muito...muito...muito...muito.
Se tiver de novo eu volto de novo.
Eu perguntei:
Para comer o Puchero de novo?
E ela:
Claro!!!!

Tem momentos assim em que as palavras não são suficientes para descrever o que a gente sente, dar legenda as várias emoções que tocam nosso coração.
E assim como o final emocionante de um filme (o momento em que a gente percebe o poder de um Puchero) o meu final de semana fecha com chave de ouro.
Que as futuras mulheres possam ser um terço do que foram as mulheres da geração da minha mãe, que arregaçaram as mangas, e passaram por muitas coisas, para que pudessem criar seus filhos.



2 comentários:

  1. Sua mãe merece todos os Pucheros desta vida... e todos eles com sabor mega especial. Beijos cheios de saudade da querida Dna Dila e todos as delícias que só ela sabe fazer (hummmm... o doce de abobora..ai, ai)... Bjs, Clau

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    1. Oi Amore,,,
      Merece mesmo, assim como sua mãe e tantas outras mulheres maravilhosas que conhecemos.
      Sou fã da sua mãe também, que lava a roupa mais cheirosa do mundo...rss
      Dna Deo merece muito também....
      Um beijo grande....e vamos ralar e tentar ser um tiquinho do que nossas mães foram...
      Beijos

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