terça-feira, 28 de agosto de 2012

Saudades de mim

Estas últimas semanas eu tenho feito listas e cumprido a risca o que me proponho a fazer.
É essa nova fase em minha vida me colocando nos eixos novamente.
Me empurrando para entrar na roda da vida de novo, e que eu saiba rodar sem ficar tonta.
Então, hoje na minha lista, na região que eu ia, estava a última passadinha pelo Hospital Alvorada Moema onde eu passei seis meses da minha vida, entre coma, internações, exames, diálise e afins.
Fui lá distribuir os últimos exemplares do meu livrinho.
Sim tinha que ser lá!
Onde tudo começou, é onde tudo acaba, nessa roda da vida, que gira e nos deixa tontos, sem perceber o que está lá fora, e esse perigo todos nós corremos, não importa o quanto evoluído estejamos.
Em quanto houver a roda da vida, corremos o risco de só olhar pra dentro, de se deixar iludir, de correr, correr, e não sentir.
Entrei na sala de espera da UTI, e muitas cabeças baixas, muitos olhos vermelhos, muitos olhares perdidos, muito medo, muita realidade, ali naquela sala a roda não gira, ela está parada para aqueles que estão lá dentro e também para quem está lá fora.
Eu quis tirar foto, mas achei desrespeitoso com aquela energia que essa sala emana, por que, não seria possível explicar que não era uma foto para ser colocada no facebook ou mostrada ao acaso, não essa foto seria para eu sempre me lembrar de que um dia eu estava lá dentro, mas agora eu estou aqui fora, pronta para tentar de novo, para não permitir que a roda da vida gire descompassadamente, esmagando sonhos, aprendizados, o que realmente importa.
Eu preciso de um lar, de comida, de ir e vir, de remédios, eu preciso de dinheiro para comprar as coisas, porém, eu preciso muito mais de alegria, de ser feliz, e essas coisas não são a que me trazem felicidade, elas me trazem uma psedo segurança, uma alivio, mas não felicidade.
Confesso que ao sair da sala, depois de ter distribuído meus livrinhos, eu chorei de soluçar, num adeus doloroso, não só de toda história, mas de tudo que eu era e que eu não sou mais.
Me recompus, segui para minha casa, com esse nó no peito!
Esse nó que só eu entendo!
E a torcida por cada um dos rostos tristonhos a quem presenteei hoje.
Que alguém lá de dentro, possa também um dia estar lá fora, como eu estive hoje.
E que um dia esse nó que sinto seja desfeito!
Acabou o livrinho, acabou a história, acabou quem eu era.

6 comentários:

  1. Não ia te contar, mais chorei também.
    Estou toda arrepiada. Espero do fundo do meu coração que todas aquelas pessoas fiquem bem.
    A Vida é realmente uma caixa de surpresas, temos que estar preparados para cada uma delas.
    Só que nunca estamos. Ela simplesmente nos pega de surpresa né?
    FICO FELIZ QUE VC ESTÁ BEM!
    GOSTO MUITO DE VC!

    BEIJOS NO CORAÇÃO E UMA LINDA QUARTA-FEIRA
    ANDREA

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    1. Oi Déa...foi muito forte o que senti...quase não me controlei...
      Sempre me emociono ao entrar lá...
      Não tem jeito...
      Mas realmente a sala de espera da UTI me comove demais...
      Reze por essas pessoas, sempre que lembrar, pois nesses momentos de doença graves é que nos damos conta do quanto a vida é perecível...
      Um beijo grande...

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  2. Déinhaaa minha flor!! Vou ter que discordar de vc!! Não acabou não!! Voce hoje é o resultado de tudo que passou e com toda sua experiência de vida, plantou e tem plantado milhares de sementinhas... que vão germinar, crescer e se tornarão GRANDES arvores!! Arvore como voce, frutífera, que alimenta nossa alma e dá esperança de futuro às pessoas!! Admiro muito voce minha amiga ARVORE!!

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    1. Linda...
      Adoro ser árvore...viva...rsssss
      Obrigada pelas palavras e tem razão eu sou a continuidade, porém, uma parte minha não existe mais...e tem horas que sinto saudades dessa parte...rs...embora eu saiba que a continuidade tem outras partes bem mais bem acabadas...rssss
      Um beijo querida amiga.

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  3. Déiaaaaa..... lindo!

    Antes de ler seu post, vi uma frase assim: "...melhor do que ter histórias para contar é tê-las vivido." (Eugênio Mussak)
    E aí está! Você não tem só histórias pra contar... você as viveu! E só vivendo é possível fazer o que você faz hoje: ajudar as outras pessoas que passam o que você já passou, dando esperança e mostrando que milagres, sim ,acontecem!

    Você é prova viva de que mudanças acontecem, e não só fisicamente, mas no principal: espiritualmente!

    Te admiro amiga!
    Beijos

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    1. Ohhhh Bijuzinha,
      Obrigada pelas palavras...tomara que eu seja um espelho para que as pessoas que lá estavam tenham esperança de que aquelas pessoas que eles tanto amam vão voltar...
      Bom ser esse tiquinho de esperança...
      Tomara!

      Com certeza ter vivido todas essas experiências, me tornaram muito mais autêntica...taí, a falta dos dedinhos me roubaram a autenticidade do meu corpo físico, mas tudo que vivi me deu a autenticidade da alma... (não tinha pensado nisso...)

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