sábado, 12 de janeiro de 2013

Quando alguém te chamar...vai...quando alguém te contar...escuta!

Hoje estava aqui no computador sem pensar na vida, sem pensar em nada.

E de repente, eu olhei o relógio, ele piscou pra mim e saí correndo, vesti uma calça e fui com a blusa rasgada, correndo para o compromisso de beleza que eu tinha.

Eu sabia que o pai dessa pessoa havia falecido a pouco tempo, pois, vinha acompanhando toda semana ela me contar e indagar coisas, afinal, todos tem curiosidade sobre o coma, e mesmo que diga com as melhoras palavras e tente explicar como é, sempre acabo com a sensação de que ninguém entende nada do que eu digo.

Mas eu tento, conto, explico o que eu acho que aquela passagem significa, digo que não senti dor (sinto que isso alivia quem passa por essa situação familiar com algum ente querido que está em coma), e divago tenho certeza em explicações que não tem explicação.

Mas isso não importa muito, as palavras, mas sim o que o coração da gente capta de energia, e todas as vezes, todas as vezes que converso com alguém sobre essas coisas espirituais eu peço a Deus para colocar em minha boca as palavras certeiras, muitas vezes me sinto em transe, diferente, e sinto que não estou falando com as minhas palavras, sinto que não estou no comando e deixo essa sensação me arrebatar.

Bom converso muito com minha colega, escuto (também peço a Deus para escutar mais do que falar), dou minha informações pra ela, sobre o que a médica lhe disse, tento apaziguar seu sentimento de enganação, de por que a médica não disse que ele iria partir (ela não poderia dizer isso, já que a nossa hora quem dá é Deus e quem tirar também). Tento explicar termos médicos, condutas médicas, procedimentos médicos, mostro meu pé, minhas marcas, conto coisas que nunca contei pra ninguém que só eu e minha sabemos, falo sobre traumas, tempo de recuperação, superação e coisas que ainda não superei, falo sobre cadeira de rodas, falta de movimentos, não conseguir respirar, e tantas outras coisas...e escuto com o coração, numa paciência que antes não teria.

Mas o melhor ainda estava por vir.

Ela me conta depois da gente conversar por mais de uma hora (nisso minha beleza já estava pronta fazia horas..rss), que na noite anterior ela sonhou com o pai, me conta o sonho e eu o interpreto pra ela.

Nesse momento eu percebo que ao olhar no relógio, quase esquecendo de novo do meu compromisso de beleza, que foi Deus que me mandou lá, era preciso que alguém com uma vivência totalmente contrária daquela que ela acredita, com uma religião que interpreta totalmente diferente todas essas passagens, fosse lá hoje para apenas conversar com ela, para ouvir, para falar sobre milagres e partidas, sobre recados que nos são dados pela alma, para talvez fazer com ela veja e possa dividir coisas que sentiu sem explicações lógicas para ela para alguém que acredita em coisas que não podemos provar, em sonhos.

Voltei para casa exausta fisicamente, como se tivesse demandado uma energia enorme, mas voltei pensativa, aprendiz de vida, de tolerância, de compaixão pelas dores alheias, de ter escutado, ouvido com o coração e de espero eu: que eu, minhas experiências, minhas palavras de compreensão e ensinamentos, de testemunho tenham servido para apaziguar essa dor, essa saudade que a gente sente de quem parte e deixa a gente nessa certeza duvidosa de um reencontro numa nova vida.

Ela me disse Obrigada e que era muito bom conversar comigo.

Obrigada meu Deus por ter, por meio das dores que tive na vida, me transformado em quem sou hoje, apesar dos milhares de defeitos que ainda tenho sou feliz pelas qualidades que adquiri.


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