domingo, 2 de junho de 2013

Não há salvação fora da caridade.

No trânsito parado às seis da manhã, sigo eu, lentamente, quando surge numa esquina sem visão, um homem.
Não sei o que ele é de imediato.
O sono, o trânsito, sua roupa desconcertada, bermuda cinza larga e camisa amarela apertada.
De imediato percebo que é alto e grande.
Quando finalmente, em segundos, percebo que ele vive nas ruas, meu primeiro pensamento é se travei as portas, depois, o carro desce alguns centímetros e em quanto eu vou pra frente ele vira para trás, só então, observo seus pés, em um chinelo no outro o pé nú.
Ele tropeça na pedras....
Eu me compadeço.
E me envergonho dos meus pensamentos de medo.
Trago um pão na sacola, queria parar e dá-lo para ele, mas tenho medo novamente dele me xingar, não querer, e o carro anda novamente alguns centímetros, ele está de costas, e eu choro profundamente.
Choro por ele, choro por seu pé nu, choro por seu desamparo, choro por nosso preconceito, nosso julgamento, choro por mim, choro por ter medo, choro por ser assim, choro por que muitas vezes eu não faço nada quando eu queria fazer alguma coisa, em segundos que não voltam mais.

(...história verdadeira, que aconteceu comigo essa semana na Raposo Tavares).

Mas fico orgulhosa de ter gente muito mais corajosa que eu, como a Shalla, que parou, sentou, conversou, deu amor e carinho e ajudou o Raimundo, que morava no canteiro da Pedroso a encontrar a sua família, a se encontrar.
Shalla não a conheço, mas admiro profundamente o seu desprendimento, a sua caridade, o seu amor ao próximo, quando eu for evoluída quero ser igual a você.

Eu parei e conversei com o Sr. Raimundo algumas vezes, ainda procuro a página que ele me deu para incluir aqui, chorei muito de felicidade ao saber que ele agora estava em melhores condições físicas, mas todos nós que paramos um dia para conversar com ele (e foram muitos) sabemos que sua alma sempre esteve bem melhor que seu corpo.

Se quiser conhecer a história da Shalla e do Sr. Raimundo dá uma curtida nessa página, leia, se emocione e copie as atitudes da Shalla.

https://www.facebook.com/ocondicionado



Foto retirada da página do facebook indicada acima.

8 comentários:

  1. Oi Déa, eu seria a protagonista da sua história. Mas esse mundo é tão cruel, pessoas morando na rua, nós que temos casa não temos coragem de parar e conversar ......
    Espero um dia ser igual a Shalla!
    Beijos querida.

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    1. Eu também querida....bendito sejam as Shallas desse mundo.
      Eu tento, exercito minha bondade, mas meu medo ainda fala mais alto.
      Ando com medo Jô...de sair de noite, de conversar com quem não conheço.
      Hoje o mal tem pele de cordeiro...infelizmente....
      Mas felizmente ainda me compadeço...
      Beijocas

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  2. Oi Déa, é a Vi,nem todos os dedos da mão são iguais, mas mesmo assim amamos todos os dedos sem acepção, não é?
    Pois Deus também nos ama, mesmo sabendo das nossas limitações..
    Cada ser humano é diferente, e cada um tem sua porção de coragem, talvez você tenha coragem para outras coisas que eu não tenho, que a Shala não tenha, mas que vai ser útil para muitas pessoas..
    Por exemplo, você já parou para imaginar o quanto seu testemunho de luta e superação já ajudou as pessoas?
    Muitos beijos,Vi

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    1. É verdade sábia Vi...tem toda razão...
      Eu sei...eu sei...
      Ás vezes queria fazer mais sabe...mas a falta de $, o medo, o preconceito...às vezes me impedem...
      Mas concordo com vocês....papai do céu é mara e acolhe todos nós estejamos em que evolução estivermos....rss
      Espero que tenha ajuda Vi....o livrinho foi para me ajudar, e para talvez ajudar alguém a se sentir mais animado...rss
      Beijocas.

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  3. Oi Dea...(nova por aqui). Vi um recadinho seu no blog da Cici e resolvi te conhecer. Gostei da historia desse post. Eu também me culpo quando vejo alguém assim e não faço nada pra ajudar. Nossos pré julgamentos, a violência do mundo, e tantas outras coisas nos impedem de prosseguir.
    Mas...gostei muito daqui e voltarei.
    Bjs no ♥

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    1. Olá Claudia,
      Seja bem vinda....
      Somos assim né? Com pressa,juízes, e tudo mais, mas Deus nos entende e perdoa...
      Que bom...volte logo...rss
      Beijocas.

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  4. A tristeza também invade o meu coração toda vez que não consigo praticar a caridade nesse nível.Eles só desejam atenção na grande maioria das vezes. E nós em nosso mundo de medo em que vivemos só conseguimos pensar o que vamos perder. Nossa bolsa?Nosso celular?Nosso sapato? Com oração e vigia eu tento melhorar todo dia.Não esqueça que com o seu exemplo já ajudou muita gente. Grande beijo.

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    1. Pois é Carlinha...
      Fico tão feliz quando consigo dar um pouco de amor para qualquer pessoa, seja em $, atenção, pão....e todo o resto.
      Esse medo nos paralisa e cega Carlinha, mas com oração e vigia a gente vai melhorando se Deus quiser e a gente também.
      Valeu...não sou exemplo não...mas valeu o carinho...beijocas

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