sábado, 24 de agosto de 2013

NUM TÔ ENTENDENDO

Hoje visita rápida do meu irmão para minha mãe que operou há duas semanas atrás.
Traz Bibi, sobrinha.
E o telefone toca....
Ele olha pra mim e diz:
- Não vai atender?
Eu, me pergunto...o quê?
Daí percebo que o telefone está tocando.
E percebo que até eles que convivem comigo se espantam deu viver nesse mundo só meu.
E quando leio os posts da Lak... E SEMPRE ME EMOCIONO E IDENTIFICO, como nesse post que li a pouco sobre sua ida ao teatro depois de alguns anos.
http://desculpenaoouvi.laklobato.com/2013/08/18/bibi-ferreira-canta-e-conta-piaf-e-as-aventuras-de-uma-implanta-no-teatro/
E percebo que o óculos é parecido com o aparelho, embora o aparelho ainda seja um "marginal".
Hoje já vejo muitas mais pessoas com aparelhos auditivos, mas (não digo preconceito) a estranheza ainda é grande.
Confesso, eu mesma tive muita dificuldade, embora eu espalhe aos quatro ventos que uso, aviso assim que vejo alguém pela primeira vez:
Ohhhh se eu responder algo totalmente diferente do que perguntou, se eu não te responder, pode ser que não ouvi...é que eu uso aparelho!
Eu relutei...eu usar, em mostrar, em adaptar o aparelho à minha vida.
Hoje acho que tiro de letra, mas ainda não me apetece ir numa balada com os cabelos presos, talvez, por que, num vou numa balada com os cabelos presos, sem escova..rs
Acho que o problema aí não é tanto o aparelho, mas o cabelo ruim..rs
Ou por que num vou mais nas baladas..rs
Mas tenho medos básicos e terríveis dentro de mim.
Teatro, um prazer adorável passou a ser ás vezes horas de luta para entender e compreender. Amigos atores, confesso fui em peças de vocês, só para prestigiar, por que, muitas vezes não entendi muita coisa, por isso, parabenizava os que tem a voz pra fora, tipo Chiquinho.
O prazer de ouvir música, de entender o que está sendo cantado, cada letra, cada silaba, cada parte do meu ser.
O barulho do vento, com aparelho, tão artificial, tão insuportável mente querido (melhor ouvi-lo assim do que não ouvir)
O telefone de casa que toca e não escuto se eu não estiver de frente pra ele e não tiver nenhum barulho alto.
A minha sobrinha no banco de trás do carro, com todos os barulhos do rádio (que o sobrinho faz questão de ligar), o motor, sinto muito não poder conversar com ela, ouvi-la, responder, sua voz de criança, ainda difícil pra mim, sonho com o dia que ela sentará ao meu lado para que a gente possa conversar melhor.
Sonho também com o Rafa tomando conta de mim, me traduzindo os sons, por em quanto eu ouço muitos: Deixa pra lá!
As vezes eu faço questão de entender, às vezes eu também me canso e deixo pra lá...rs
A panela de pressão abafada (isso acho que agradeço...rs).
As piadas perdidas.
O aniversários dos amigos que não me animo a ir, por que, sei que não vou escutar as conversas, socializar, dar meu palpites e fazer meus comentários cheios de piadas.
Ontem na minha médica uma moça de Goiânia que estava lá foi super elogiada pela Tê por ser animada, risonhas, bem humorada, eu disse que eu era mau humorada, daí ela disse que eu já fui, eu respondi que o período da doença não valia, daí ela disse que então eu não era.
Mas sou, sempre fui.
E agora ganho mais fama ainda, por que, eu vivo num mundo só meu.
Outro dia a vizinha brigou comigo, indignada soltou essa:
- Nossa te falei Oi Andrea bonitona...e você virou a cara.
Oi...explico...estou sem aparelho não ouço, mas quem parece não entender é ela.
Não ouço as pessoas chegarem e tomo sustos mil, fico brava, xingo.
Quando estou em lugares que não tem senha (pra pegar minha medicação, para fazer exame), eu fico apreensiva, nervosa, mau humorada (rsss), de não ouvir meu santo nome.
Tem lugares que a cadeira é de costas pra quem chama.
E no banco (o maldito PRÓXIMO lá no final do balcão, outro lado, por que, nunca é da caixa na minha frente..rs, fico sem saber que me chamaram e pior quem me chamou).
E o medo do terrível:
A senhora não ouviu chamar?
Depois de duas horas que te chamaram e que você ficou esperando, que vem seguido de uma cara blazé! Não eu não ouvi chamar, se eu tivesse ouvido, com certeza tinha vindo imediatamente...rs.
No médico e no dentista (meu querido Dr. Renato...já aviso, por que, todo mundo se esquece..rs), com máscara e a total incompreensão minha.
O bendito telefone...ahhh como eu não te amo mais... a TERÇA e a SEXTA!
O ódio no cinema e no meu programa predileto o Viver com Fé, ou qualquer programa em português, que justo na hora que é a frase impactante, a frase que muda tudo, que me faz entender tudo, ou riem, ou fazem um comentário em cima do que a pessoa está falando, ou um som que pode ser tanto um OWN, como Nossaaa, um simples AAAAAAAAAAAA, e eu corro o risco de não entender nada, que sacooooo!
É o carro lotado de amigos, que papeiam, e eu fico ali sem entender as risadas, a música que está tocando, o que está rolando, totalmente abandonada ao meu mundo.
Mas o pior de tudo é zumbido constante, dentro da cabeça, que eu tento ignorar, que eu acostumei, mas que tem dias que só o sono me faz ficar menos mau humorada...rs...
Que faz parte da minha vida, assim como o aparelho, assim como a surdez.
É eu queria um mundo com legenda, com painéis de senha, com interatividade, com tecnologia de ponta, com respeito, atenção, com tempo, com paciência pra mim....
Mas o pior de tudo não é o que não escuto, é o que falo e ninguém precisava ouvir, aquilo que ainda preciso calar dentro de mim.

























segunda-feira, 19 de agosto de 2013

sábado, 3 de agosto de 2013

Por tanto amor, por tanta emoção a vida me fez assim....

Dia oito é o dia que voltei do coma.
O dia que renasci, como muitos estão cansados de saber.
O piquenique é uma delícia, dá um trabalho tremendo, mas quando estamos lá sentadinhos na grama, papeando, tomando solzinho, tudo vale a pena.
E tudo vale a pena, por que, lá comigo estão pessoas muito queridas, que adoram comemorar a vida comigo.
Pessoas que caminham comigo antes de eu ficar doente, durante e depois.
Eu penso em tudo com muito carinho e meus amigos também, eles se esforçam em suas rotinas loucas de SP City para estarem lá comigo.

E tem muita coisa gostosa, muita abraço apertado, muito chamego, lembrancinhas, invencionices, comidas deliciosas...MUITO AMOR!

Eu sou eu né, falo mais que a boca, muitas vezes falo o que não devia ou de formas que não se devem, mas eles me amam como sou...espalhafatosa.

E com eles eu sou como sou!

Então, sem escrever demais...vamos as fotos:



Biscoitinhos da sorte by Cici - Encomendas aqui: http://www.cdecici.com/

Ideia adaptada  - Inspirada aqui: http://taysrocha.blogspot.com.br/2013/06/festa-de-jardim-e-borboletas-inspire-se.html

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