quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Não importa nada, distância, cirurgias, problemas, quando dois ou mais corações estão conectados.

Nove horas da noite volto do jantar e meu face ficou aberto, faço isso direto.
Encontro uma mensagem de uma amiga que mora fora do país.

Algo assim:

"Amiga desculpa, estou sozinha, aqui é madrugada, meu namorado não aguentou e dormiu (deduzo que ele tenha que trabalhar no dia seguinte), e minha mãe estava internada para retirar o baço (ele tem câncer há algum tempo - eu não sabia - e a quimio não vem fazendo efeito, mas os médicos estão positivos quando a melhora dela), daí que meu pai (cardíaco e também com câncer controlado nos ossos - que eu também não sabia) que a acompanhava (eles moram em Recife) começou a passar mal e teve que fazer uma cirurgia, aí amiga, desculpe, mas eu precisava conversar com alguém"

Falei que ela não tinha nada que se desculpar e conversamos....conversamos....choramos...rimos....e tentei ajudá-la como pude.
Ensinei ela a meditar/vibrar da minha forma....rs...pensando em cores, abraços, conversas, lembranças boas...envio de amor pela corrente mais rápida que existe que é os corações ligados um ao outro.

Ela chorando lá eu chorando aqui.
Não conheço seus pais, mas conheço a minha amiga, a amiga que veio me visitar quanto estava de cama e que soltou um monte de palavrões sinceros quando entrou em minha casa, que me trouxe flores e que quando sua amiga do trabalho ficou muito mal me levou pra visita-la com a esperança que ela pudesse enxergar em mim alguma esperança da vida sobre a morte.

Não sei o resultado dessa visita no coração da amiga da amiga, acho que eu pensava que poderia tocar essa amiga da minha amiga somente com minha visita e euforia pré morte vencida..rs, mas a verdade é que é preciso muito mais para se tocar alguém, cada alma tem seus macetes, seus mistérios, alguns a gente toca assim do nada, sem que nos demos conta do que fizemos, já outros, bem outros são bem mais complicados.

Infelizmente a amiga da amiga não resistiu à seu tumor no cérebro, mas essa visita me fez perceber que às vezes eu não toco as pessoas...não adianta tudo que passei, essa coisa de conexão não se explica, não se fala, só se sente.

A verdade é que ser a opção da madrugada da minha amiga, por motivos que eu creio sejam que eu entenderia o desespero dela de estar longe e ter os pais doentes, internados no mesmo momento. A sensação de impotência, de não poder se fazer nada, de repentinamente o mundo não correr mais nos trilhos como esperamos que ele faça, é uma opção hoje para a maioria dos meus amigos.

Tipo: ela vai entender, ela vai me ouvir, ela vai ter compaixão.

Adoro esse meu novo posto, o da amiga que compreende a única verdade da vida, que tudo pode acontecer, que por mais animado feliz que seja, a doença pode vir, chegar e te virar do avesso, mas que as pessoas que amam a vida (mesmo que não saiam vivo dela), não vão deixá-la sem antes ter uma boa briga com ela.

No mesmo dia, mais tarde a irmã dela que veio de Recife para ficar com os pais contou que a cirurgia do pai tinha acabado e ele estava em observação.

No outro dia logo cedo (pedi que mante-se informada sobre eles), logo que acordei fui surpreendida com uma foto dos dois, e chorei de rir e de comoção, um do lado do outro, de pijamas, pantufas, cada qual com seu porta soro de metal, em pé é claro...rs, nada de cama ou abatimentos, abraçados, com uma carinha que é difícil descrever...eu interpretei assim:

- Estamos bem, a vida nos vira do avesso, passamos por cirurgias, quimio, surpresas, mas temos um ao outro para nos apoiar, e ela não vai nos derrotar tão cedo.

Lindos!
Exemplos!
Força!
Superação!

Chorei e ri ao mesmo tempo e agradeci a Deus a oportunidade de ter momentos como esse, em que várias pessoas são exemplo pra mim.

E quanto a minha vida, puxa quantas bençãos eu recebo, uma delas é ter amigas assim, que puxaram os pais, e que da luta não se retiram, e que hoje além das diversas confissões sobre namorados, traições, falsidades, dicas de maquiagem, danças em cima da cadeira, também compartilham comigo momentos como esse que reforçam a minha fé na vida, apesar, de todas as lições dolorosas que ela nos prega.

Sabe eu queria ser mais animada nesse blog, mas a verdade é que essas histórias emocionantes (não tristes não vejo assim) fazem parte da minha vida muito mais do que decoração, maquiagem, viagens, festas, etc...

Prometo contas do piquenique no próximo post, mostrar gostosuras, amigos, inventices, lembrancinhas. Vem ler tá...prometo que vai ser mais animado, só não prometo que vai ser tão emocionante...rs

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Proteção e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Dias atrás eu recebi uma ligação de um enfermeiro muito querido que cuidou de mim, em 2005, quando fiquei muito mal...(eu visito o hospital, a diálise de tempos em tempos, gosto de manter contato com essas pessoas que cuidaram tão bem de mim, sou grata a elas).

Ele me disse que tinha lido o livrinho, que tinha se emocionado muito e que estava com saudades de mim.

Então, eu aproveitei uma fornada dos meus famosos cookies (que eram da Fabi...minha prima, que nem faz mais hoje, por que dá muito trabalho, e dá mesmo, e se eu por acaso te mandar um saquinho, saiba que eu te amo muito...rs) que eu fiz para minha ex chefe que me convidou para o show dela e fiz um pacotinho também para o Joel.

E ontem eu fui lá entregar...

Chegando no andar que meu amigo trabalha, fiquei muito surpresa por encontrar um folder no posto de enfermagem detalhando a forma de agir em suspeita de Sepse, que foi o que eu tive (Infecção generalizada  com choque séptico que é quando o organismo está tão comprometido que entra em choque, a pressão baixa quase a zero, o organismo pifa, e você pode ter ataque cardíaco, respiratório, e dizer byebye mundo cruel..rs).



Achei maravilhoso por um lado e por outro fiquei preocupada...será que está tendo um quadro de sepse, ou eles tem aprendido a agir melhor caso ocorra com alguém o que aconteceu comigo? (sei lá, sei que quando vou no hospital eu chego em casa e tiro toda a roupa, essas super bactérias já me pegaram uma vez, não quero que tenha a segunda...rs).

Meu amigo estava num quarto em algum procedimento e fiquei lá esperando.

Quando ele me viu, ele já começou a chorar, e não sei se gosto ou desgosto dessas reações que provoco nas pessoas que me viram como fiquei, só sei que pareço uma expectadora da minha própria vida. Lógico que em emociono também por ver essas pessoas que de uma forma muito louca passaram a me amar, sem terem na verdade me conhecido.

Conversamos, damos risada, ele me conta piada (que ele sempre fazia quando ia ao meu quarto), chama outros enfermeiros e conta de mim, choramos mais um pouco, pergunto pra ele se ele acha que quando tem que limpar, dar a comida, quando alguém depende totalmente deles, como eu dependi, se ele acha que isso faz com a pessoa perca a dignidade, ele me olha espantado com essa pergunta...(acho que nunca ele ouviu isso como eu ouço, no mundo dele, do lado de lá, isso não existe)....

Ele pensa e diz:

Eu nunca faço para qualquer paciente o que ele não PRECISA.
Se ele consegue engolir a medicação sozinho, ou comer, eu o ajudo, coloco em sua mão, levo até a boca.
Nós só fazemos o que ele PRECISA.

(então analiso isso de forma espiritual e percebo que a gente só passa pelo o que precisa, e se você passar por essa situação de depender totalmente de alguém, saiba que é a vida te moldando e ensinando).

Eu rebato ainda, esse corpo é só uma carcaça, que guarda quem você é, chame de alma, personalidade, o que for, esse corpo, lindo ou não, ficará aqui, não existirá mais, e uma surpresa pra você...a dignidade não mora nesse corpo, ela faz parte de você, e a minha está intacta, melhorada até, por perceber, que sempre iremos precisar das pessoas, sempre....até quando você morrer, sim, ou você mesmo irá se enterrar...rs...

Ele segura nos meus braços me olha nos olhos cheios de lágrimas e ao se despedir me diz:
- Você sabe que você é um milagre né?
Deus sempreeeeee irá te PROTEGER.

Bom para um católico não praticante como ele mesmo se diz, a fé dele me espanta...RS.

Respondo:

E você continue batendo papo, contando piada, mesmo que não pareça fazer efeito na hora, por que, pra mim muitos desses momentos foram os que ficaram no meu coração...continua tá?

Vou pra casa chorando e rindo, com essas pequenas marcas que ficaram dentro de mim, frases assim ditas pra eu nunca esquecer, acenos, atitudes, sorrisos, sinal de joias e quando vejo estou na frente do Burger King e sorrio pro destino, esse danado que me persegue entre lembranças boas e ruins que explodem em mim nos lugares mais impróprios ou improváveis e lembro que eu estava tão magra, tão esquelética, vomitando tudo que colocava pra dentro que um dos médicos da diálise sempre me dizia ao final da sessão:

- Passa no Burger King Andrea, come um cheesburger...faz isso por mim......(O Burger King estava sendo lançado no Brasil em 2005)...

É não tem jeito de esquecer coisas assim, nem quero, quero lembrar sempre, que em 2005 eu não conseguia comer um cheesburger e que hoje eu não devo.....mas posso.

E vou seguindo em frente, pois, DEUS SEMPRE VAI ME PROTEGER.




Frases inocentes de engajamento, educação e admiração.

Busco meus sobrinhos na escola, na sexta-feira para passarem todo o final de semana conosco.

No carro esperando a saída do Rafa, a Bianca me solta essa:

Titia sua impressora está funcionando?

Sim Bia...tem algum trabalho da escola pra fazer?

Tenho que imprimir 64 folhas.

Eu espantada com o tanto de folhas pergunto:

Sessenta e quatro folhas, nossa, pra que tantas assim? E só você tem que imprimir isso tudo?

É que conversando com minhas amigas, a gente tem que imprimir 64 folhas falando assim: não destrua a natureza, cada folha que você usa é uma árvore que está sendo usada...daí a Fernanda (amiga) disse que a impressora dela está com problema, a minha está sem tinta, daí eu lembrei que ia pra sua casa....e sobrou pra mim....

Daí demos risada e eu disse: NA VERDADE SOBROU PRA MIM NÉ? RSSS.

Ensinei ela a colocar numa folha só a frase repetindo e assim diminuir a quantidade de folhas que vão ser impressas, já que essas folhas que ela está usando também vão destruir algumas árvores...rs
Dei um nó na cabeça dela que me olhou espantada...rs
Expliquei que se ela fosse dar para as pessoas, para pedir que não jogassem no chão.
E que se ela for colar em paredes, árvores, etc, ela tem que pedir permissão para o responsável pelo o lugar.
Não basta ser tia que tem tinta na impressora, tem que educar.


Vó e Bia limpando a mochila da escola dela, cheia de papel de bala, folhas amassadas e por aí vai...
Quando minha mãe diz:
Olha Bia essa folha aqui parece uma foto..
Bia responde: É imprimido...
Impresso eu corrijo...rs

Mais tarde ela nos conta que nessa terça ela vai cortar o cabelo para doar para a campanha das crianças com câncer, que vai ficar na altura do ombro, que desde que ela viu ela queria doar, mas que ela e a mamãe dela não achavam um lugar que fosse "direito", que tem que cortar 10cm...e por aí vai...quando ela solta essa:

Por que você sabe Titia que tem gente doente que perde até o "ciscos"....rs

Sim Bibi eu sei que tem pessoas que perdem até os cílios e acho muito lindo sua atitude, seu coraçãozinho é tão lindo como o seu cabelo, tem brilho próprio.
Te amo minha pequena.