quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Dr. Fernando aquele que era referência para "novidades" tão antigas quanto a humanidade... - O médico que me salvou primeiro.

Eu nasci antes da hora, com oito meses.
Difícil pra comer, chorona, eu fui uma criança complicada.
E a primeira vez que eu tentei deixar essa vida, foi com um ano e dois meses.
Eu comecei a piorar muito, apática, sem apetite, com tosse e um secreção pelo nariz que os médicos atribuíram a bronquite
Após diversas consultas e nenhum diagnóstico, com vários médicos particulares que custaram ao meu pai um ano de salário antecipado, uma conhecida da minha mãe que era enfermeira conhecia um médico do qual ela gostava muito e que cuidava de pulmão, como eu continuava mal ela comentou com esse médico e ele mandou que minha família me levasse ao consultório dele no dia seguinte.
Foi assim que conhecemos o Dr. Fernando Fiuza de Melo.
Ao me ver e talvez hoje eu saiba me cheirar...rs...ele já foi me diagnosticando com tuberculose...
Minha família ficou incrédula e assustada, pois, tuberculose foi e é uma doença perigosa, embora considerada hoje tratável.
Minha mãe me contou que achar o Dr. Fernando, finalmente descobrir o que eu tinha e começar o tratamento foi a salvação para ela, exausta e achando que eu não sobreviveria, ter encontrado um médico que a escutava e cuidava de mim trouxe a calma ao coração dela.
Minha Tia Alzira, mãe da Karla, que é como uma irmã pra mim, temos apenas seis meses de diferença, chorou muito quando descobriram o que eu tinha, pois, durante muito tempo ela pensou que ela tinha me passado seus problemas respiratórios.
Toda a família próxima a mim fez o exame e apenas eu tinha tuberculose.
Minha mãe acha que eu peguei de um colchão que eles compraram no bazar da igreja, já que eram bem pobres e não tinham muita condições financeiras naquela época.
Fiz tratamento por um ano até que o Dr. Fernando me deu alta.
Nisso ele e minha mãe eram grandes amigos, ele brincava com seu nome Juvendira, falando algo com Juventude, era um médico caridoso, que cuidava de diversas classes sociais com a mesmo carinho.
Minha mãe devia minha vida a ele e sempre, durantes os anos que vieram, escutei essa história e sentia o carinho e a gratidão que minha mãe nutria por ele.

Eu cresci, nunca mais tive nenhum problema respiratório, até que tive o choque séptico em 2005, com trinta anos de idade. Logicamente, como todo o meu corpo, o pulmão teve diversas fases e problemas, inclusive uma parada cardio respiratória, água no pulmão de ficar deitada e outras coisitas mais.
Diante de tantas informações médicas, diagnósticos e dores, minha mãe precisava de alguém com quem ela pudesse contar, alguém que trouxesse a paz novamente pra ela, alguém que dissesse que eu não morreria e foi assim que meu irmão pesquisou por onde estaria o Dr. Fernando.
Minha mãe me contou que umas semanas antes de eu ficar doente, ela estava vendo TV e passou uma entrevista com o Dr. Fernando, ele estava pesquisando alguma coisa com os índios, isso a deixou muito sensibilizada, mas ela acabou esquecendo.
Meu irmão foi até o consultório do Dr. Fernando e pediu que ele viesse até o hospital.
Eu já estava no quarto, em recuperação, em isolamento, mas consciente.
Ele checou meu prontuário, viu meus exames, sentou ao lado da minha cama e como um tio amado me explicou que eu era danada, que tinha sobrevivido novamente, que meu pulmão tinha aguentado mais essa e que eu era uma guerreira, me contou piadas e histórias sobre suas pesquisas,  disse que que apesar do que passei meus pulmões estavam ótimos e que não tinha nada que ele pudesse fazer por mim, ele me deu alta novamente...rs...não sem antes recomendar que eu parasse dar sustos em minha mãe...rs

Naquele meu estado crítico, tudo que me falavam ou fazia entrava por um ouvido e saía pelo outro. Lembro até do meu ex namorado brincar que minha mãe achava que o Dr. Fernando pudesse me curar, mas que não fazia muito sentido ela o ter chamado, ele desdenhou esse desejo dela.
Quando contei isso a ela agora, ela me rebateu dizendo:
- Como não valia a pena chamar ele, como não valia depois de tudo que seu pulmão passou, era preciso que ele visse se estava tudo bem com eles.
Não discuti, pois, percebi que ela precisava desse reencontro com o homem que me salvou quando criança, ela precisava dele naquele hospital e que ele lhe dissesse que tudo iria ficar bem comigo de novo, ela precisava de alguém que falasse a língua dela, ela precisava de um médico amigo.

Daí, me lembrei que eu não tinha enviado o livrinho que escrevi pra ele, que mesmo falando bem pouco dele, apenas dessa rápida consulta no hospital, eu o citava. Mas deu um baque no meu coração e disse pra minha mãe: - Mas e se ele morreu?
Bom corri pro google e digitei o nome dele (que minha mãe diz que nunca irá se esquecer) a primeira matéria que li foi essa http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/943807-fernando-fiuza-de-melo-1945-2011---conhecia-a-tuberculose-pelo-cheiro.shtml

Fui lendo, lendo até que cheguei ao final e meu coração travou, ele havia morrido em 2011.
Gritei minha mãe e ficamos lendo matérias e descobrindo a história linda de um médico devotado e um homem do bem, minha mãe já sabia o grande homem que ele era, pois, ela conviveu com ele durante um ano, mas talvez não imaginasse o grande profissional que ele havia se tornado, nem as grandes batalhas de sua vida.
Descobri o médico fantástico que tinha me feito renascer, numa época atrasada na medicina, onde os tuberculosos já não eram mais encarcerados, mas era considerada uma doença de miseráveis...
Enfim, uma história muito interessante, sobre um homem que seguiu seu coração.
Escolheu uma especialização que diziam seria erradicada, que era uma doença de terceiro mundo, dos menos abastados, dos sujos, e mesmo assim foi em frente.
Zapeando pela net, me deparo com o blog de uma sobrinha dele e lá tem seu relato, feito pelo próprio Dr. Fernando para o museu da pessoa, vale a leitura e o conhecimento de médicos como ele, que se dedicam as pessoas. Vale ler os comentários e sentirem a humanidade citada por seus paciente.
Ao sair do meu quarto, com os olhos cheios de lágrimas minha disse:
- Com certeza ele tem o seu lugarzinho lá no plano espiritual.
Completei:
- Deve ter sido recebido pelos seus pacientes já desencarnados, com certeza já está ajudando nos hospitais do plano espiritual, com seu jeito bonachão e divertido.
Minha mãe contou que ele adorava comidas que eram trazidas pelos familiares ou enfermeiras lá do norte..rs...que ele comia com gosto e sem luxo...rs
Eu não duvido de nada disso, pouco me lembro dele, na verdade só o vi uma vez, mas é como se ele fizesse parte da minha vida de tanto que escutei sobre ele a minha vida toda.
Ele sempre vai ser o médico que me salvou e que contrariando à todos minha mãe levou para me conhecer mesmo numa terrível situação.
Hoje olho pra trás e sinto que eu precisava também conhecê-lo e agradeço da minha mãe ter pedido que ele me consultasse no hospital.

Ele dizia que era referência para "novidades" tão antigas quanto a humanidade...

E eu acredito que o mundo não muda, as doenças podem sim serem erradicadas, mas só aquelas que as companhias de remédios, os países, os governantes queiram, vejam o Ebola.

Me espera aí Dr. Fernando...te devo um abraço e obrigada por ter me salvado, não pude lhe falar naquele dia no hospital, pois, ainda estava com a traqueo, mas sei que minha mãe deve ter agradecido por todos nós.

O blog da sobrinha é esse:

http://simplesmentelu.blogs.sapo.pt/62426.html

E tem também um site

http://www.fernandofiuza.com.br/

É assim que me lembro dele:
É a

Foto retirada do blog: http://simplesmentelu.blogs.sapo.pt/62426.html