quinta-feira, 27 de abril de 2017

Como programar uma viagem - Uma transplantada no mundo - Certificado de isenção.

Em  2012 eu combinei com uma amiga de passarmos o carnaval em Buenos Aires.

Daí convidamos mais uma amiga em comum, e no final (ela que também é uma agregadora como eu) tinha convidado o universo todo.

No final eramos "Las siete mujeres" a caminho de Buenos Aires, numa época que BsAs já não era tão barato, mas com certeza ainda muito charmosa.

A viagem foi ótima, cheia de aprendizados e novas amizades.
Lidar com um grupo não é nada fácil, nos testa e ensina grandes lições. E eu preciso muito dessa lição "grupo", por que, sou muito ansiosa e independente e não tenho muita paciência para esperar e conciliar tantas opiniões, sou uma pessoa prática e a demora em decidir é uma coisa que me causa muita ansiedade, mas em grupos é necessário esperar o outro, o tempo do outro, o raciocínio do outro, e com isso muitas vezes ganhar, pois, o caminho do outro também tem curvas interessantes.

Muitas vezes perdi na vida por ter pressa em decidir, outras decidir rapidamente me salvou!!!

Achar o equilíbrio é uma das lições que a vida nos dá.

Como em todo grupo os semelhantes se atraem e o grupo meio que se dividiu em duplas...rs
E foi assim que ganhei uma parceira de viagem, que topou seguir minha planilha de lugares a visitar e coisas a fazer com disposição e alegria.
A Dione tem interesses parecidos e a mesma gana por desbravar e conhecer tudo que a gente coloca na lista de uma viagem.

Nos tornamos amigas e nos vimos algumas vezes depois da viagem e sempre mantivemos contato e o desejo de uma nova viagem juntas quando fosse possível.

A Dione teve alguns dias de folga e veio passar uns dias em casa para visitar alguns lugares de SP que ela desejava, inclusive, um restaurante Peruano (ela fez uma trip incrível para o Peru) com fama de delicioso e barato chamado Rinconcito, onde estivemos e aprovamos e que super recomendo.

Depois de algum tempo de contatos virtuais passamos esses dois dias batendo papo e colocando as novidades em dia e imaginando uma nova trip juntas, já que nos demos tão bem em Buenos Aires.
Mas sem grana á vista, falei que ia juntar esse ano uma grana e que quando tivesse dinheiro eu escolheria um destino em conformidade com o dinheiro economizado, mas o universo conspira a quem clama por ele...rs.

Sim, por que, a vontade que a gente tem é chamar todo mundo para fazer tudo na vida, todos os passeios, as viagens, as loucuras, mas só que nem sempre isso é possível, então, a gente acaba chamando aquele amigo que está mais próximo no momento, aquele amigo que o destino sussurra no nosso ouvida....convida ele.
E nossa aproximação recente, com certeza, foi o início desse complô do universo.

Dias depois meus primos estiveram em casa e conversando eles falaram que caso eu precisasse de algum tempo eles me davam uma liberada em alguns pagamentos parcelados que tenho com eles, mas respondi que meu interesse era pagar mais parcelas para acabar mais rápido e não o contrário.
Mas o universo nem sempre segue seus planos ele adapta para te dar o que você precisa.

E assim, num dia normal de Janeiro, minha amiga me chama dizendo que o grupo da escola dela de Yoga ia fazer uma viagem se eu não queria ir junto (?)
Conversei com meus primos, que me liberarem dos pagamentos por uns meses, e fiz minhas contas, sem pensar muito, no destino, no valor, em como seria...e eu comprei as passagens de ida e volta.

Depois comecei a pesquisar o destino escolhido e aí começou várias questões a serem levantadas, mas espanava cada uma com o otimismo de quem ama viajar e que não importa o que aconteça na viagem, eu sei que será a melhor coisa que farei na vida.

Me perder, me encontrar, aprender, ensinar, sorrir, chorar, empurrar mala, ver coisas diferentes, conhecer um novo país, ganhar mais uma carimbada no passaporte, conhecer gente nova, provar comidas novas, ver placas e paisagens tão diferentes do meu universo, tudo isso e muito mais que não sou capaz de descrever alimentam a minha alma, saciam a minha curiosidade e instigam a minha coragem.

Primeira coisa que descobri sobre o destino era que são super rígidos com a vacina da febre amarela.
Entrei em pânico... eu sou transplantada renal e não posso tomar a vacina que é feita com anti-corpos vivos que atacam meu organismo, imunossuprimido (com baixa imunidade).

Entrei em contato com a agente de viagem para perguntar se eu podia devolver a passagem (Rs) um dia após ter comprado.

Ela mandou que eu entrasse em contato com a embaixada desse país no Brasil e com a Anvisa, afinal, eu não sou a única transplantada no mundo...rs

Então, entrei em contato com a embaixada e um moço super gentil me disse que eu precisava de um Certificado de Isenção da vacina contra a febre amarela, e me tranquilizou dizendo que ele também era transplantado. Oi? rs

Com a Anvisa, no site deles eu descobri que realmente existia esse certificado de isenção da vacina, mas no site deles não era claro como se obtinha.
Bom descobri que tinha um Centro de orientação ao viajante e por coincidência era do lado do hospital onde costumo fazer exames quase todos os meses.

Numa dessas idas, eu passei por lá, levei minha carteirinha de vacinação, minha passagem comprada, meu passaporte recém tirado (não existe no Brasil a renovação, e assim quando o passaporte vence, o que tinha acontecido comigo, é preciso tirar um novo, agora esse nova vale por 10 anos, o que nos dá uma pausa e um alivio de que nossos tão amados carimbos estarão conosco durante os próximos dez anos...rs), RG, e minha comprovação de que sou transplantada, e muito importante seu cartão do SUS.

Cheguei lá expliquei que precisava do Certificado de Isenção e não sabia como devia proceder, Nesse mesmo dia, conversei com uma médica lá da Anvisa, que analisou minha carteirinha de vacinação e descobriu que eu estava defasada em várias vacinas.

Ela queria já me aplicar, mas como tudo que vai para dentro de mim, principalmente medicações, eu preciso de autorização da minha médica, aproveitei que o consultório dela era do lado e fui lá perguntar se poderia tomar a lista.

Com o ok da médica, voltei na Anvisa e tomei 4 vacinas que estavam atrasadas, foram elas:

1) para pneumonia
2) difteria e tétano
3) uma nova para meningite
4) uma nova para hepatite B que estava atrasada.

Descobri que o certificado poderia ser tirado na hora, mas que era necessário fazer um cadastro no site da Anvisa que gera um número necessário para o controle deles, mas como site estava fora do ar, não foi possível.

Link para pré cadastro do viajante


Mas saí de lá com as vacinações em dia, com as duas polpas da bunda picadas e doloridas e os dois braços iguais.

Voltei no outro mês, após fazer o cadastro e saí de lá com o certificado de isenção em mãos, ele não tem validade, na verdade é válido até quando a minha situação perdurar, ou seja, até quando eu for transplantada.

Quem mais não pode tomar a vacina: mulheres grávidas, bebês, transplantados e todos que fazem uso de medicações com cortisona, quem faz quimioterapia, etc.

Mas não se desesperem, há muitos iguais a nós.

Descobri que se minha médica fizer no formulário da Anvisa não há necessidade de ir até um posto de viajante da Anvisa (foi o que fiz em outras viagens internacionais), mas como nesse país eles são bem rígidos achei melhor ter o da minha médica e o da Anvisa também.

E com os dois certificados (na verdade iguais, mas assinados por diferentes fontes), um problema da minha viagem estava resolvida.

Coloquei em um envelope plástico desses que vendem em papelaria para proteger e tentar amassar o menos possível. (Ele vai dentro do meu porta passaporte/documentos)




Eu não precisava "ainda" tentar devolver as passagens...rs

Continua....




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